Pela primeira vez em sua história, CAM-CCBC conta com mulher na presidência

Eleonora Coelho é a primeira mulher a ocupar a presidência do CAM-CCBC. Antes de assumir o cargo, a advogada e árbitra foi secretária-geral instituição durante quatro anos. Ela tem sólida formação acadêmica e vasta experiência na área de arbitragem e métodos adequados de solução de controvérsias. Formou-se pela Universidade de São Paulo, fez mestrado em arbitragem, contencioso e métodos alternativos de solução de controvérsias na Universidade Paris II – Pantheon Assas. Foi vice-presidente do Comitê Brasileiro de Arbitragem (CBAr) e integrou a Comissão de Juristas do Senado Federal que reformou a Lei de Arbitragem de 2015, e posteriormente na Lei de Mediação.

Confira alguns dos principais trechos da entrevista que a nova presidente concedeu à revista Brasil Canadá, publicação institucional da CCBC:

TRANSPARÊNCIA

“Temos um grupo acadêmico e de especialistas que está estudando a questão da publicação de sentenças arbitrais, em linha com a tendência mundial, de modo a se conferir maior transparência e segurança jurídica aos usuários da arbitragem e à comunidade jurídica como um todo. Vamos fazer uma análise para ver a viabilidade e como tal publicação poderia ser feita para que o sigilo das partes e das informações do procedimento sejam preservadas.”

DIRETRIZES MAIS IMPORTANTES DA NOVA GESTÃO

“O CAM é o principal centro de arbitragem do Brasil e um dos mais relevantes da América Latina e foi reconhecido como a 8ª instituição mais admirada do mundo, na International Arbitration Survey 2018, da Queen Mary University of London e White & Case.

O objetivo é manter a posição de liderança, a qualidade na prestação dos serviços, aprimorar tecnicamente nossas ferramentas e fortalecer nossa posição de referência. Ademais, continuaremos desempenhando com afinco nossas missões indiretas e não menos relevantes, como fomentar o crescimento da arbitragem no Brasil e no mundo por meio de, entre outros, a  promoção e apoio de eventos acadêmicos de formação de estudantes. Estamos sempre atentos às necessidades do mercado, ao desenvolvimento do instituto da arbitragem como um todo, como política macroeconômica e de segurança jurídica até do próprio país”.

ARBITRAGEM NO BRASIL

“A arbitragem alcançou a maturidade em nosso país, e hoje dispomos de um contexto muito favorável ao seu contínuo crescimento em vários âmbitos: legislativo, judicial, doutrinário e profissional. Com efeito, há profissionais, instituições arbitrais e árbitros qualificados para atuar nacional e internacionalmente. Ademais, nosso país conta  com integrantes do  Poder Judiciário que  conhecem, apoiam o instituto e exercem o controle dentro dos estritos limites legais. Temos pilares e instituições sólidas. Todos os ingredientes para que o instituto funcione bem e o CAM-CCBC se orgulhe de não somente fazer parte desta história, mas contribuir ativamente para sua perpetuação”.

MEDIAÇÃO

“Sou entusiasta da mediação e participei da redação da nova lei de mediação extrajudicial. Entendo que a lei ajuda a formar uma cultura para sua utilização. Essa cultura não tem que ser somente desenvolvida entre os advogados, mas também entre os clientes que são os usuários. Precisamos mostrar com dados concretos as vantagens da mediação. Essa também é uma bandeira que levantamos aqui no CAM-CCBC e acabamos de realizar um evento de mediação empresarial de muito sucesso para integrantes de empresa. Há 20 anos tive a ideia de investir na arbitragem, fui considerada uma lunática naquela época, tive perseverança nesse caminho e hoje colhemos frutos pessoais e profissionais. Esse investimento na mediação tem que ser feito pensando no futuro”.

DIVERSIDADE NA ARBITRAGEM

“Quando entrei como secretária-geral, aproximadamente 14% dos árbitros eram mulheres. Hoje o número saltou para 28%, próximo da nossa meta que é de 30%. Nós temos a Resolução 30/18, em função da assinatura do The Pledge (Equal Representation in Arbitration – The Pledge, o Compromisso pela Igualdade de Representação na Arbitragem assinado pelo CAM), por meio do qual, dentre outros, acordamos que não patrocinamos nem apoiamos eventos que tenham menos de 30% de mulheres como palestrantes. Nas indicações de árbitros que dependem do CAM, temos feito pelo menos 50% de indicações de mulheres. Então, estamos evoluindo e eu pessoalmente a acredito e luto por isso”.

DESAFIOS NA PRESIDÊNCIA DO CAM-CCBC

“É instigante assumir a gestão de uma instituição que já vai tão bem quanto o CAM-CCBC, mas também é um grande desafio não somente manter a excelência até então conquistada e torná-la ainda melhor. Gosto de desafios e encarei este com muita satisfação e honra. Acredito em um trabalho ético e compartilho dos valores que o Perrotti [Paulo Perrotti, presidente da CCBC] imprime, que são os de uma gestão horizontal e baseada no respeito e na luta constante pelo bem comum. Essa é a minha filosofia de trabalho e acredito que temos um caminho promissor pela frente”.

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