O sabor que vem do frio

Icewine canadense é cada vez mais apreciado por brasileiros que buscam produtos diferenciados no segmento de bebidas

Por Sérgio Siscaro

Durante o Canada Day CCBC Online Festival, iniciativa da Câmara de Comércio Brasil-Canadá (CCBC) que apresentou mais de 200 conteúdos de diversos assuntos relacionados ao Canadá no início de julho, os participantes puderam conhecer um pouco mais sobre o renomado Icewine canadense. Criado no final do século XVIII na Alemanha como eiswein, o Icewine é um vinho de sobremesa que se distingue em razão de ser produzido com uvas congeladas ainda na videira – o que permite uma concentração maior dos açúcares. Devido à necessidade de ser produzido em regiões cujas temperaturas variem de -8ºC e -10ºC, o Icewine produzido na província canadense de Ontário é um dos mais conceituados do mundo.

De acordo com a diretora de relações públicas, marketing e turismo da VQA Wines of Ontario and Wine Country Ontario e da Wine Marketing Association of Ontario, Magdalena Kaiser, há atualmente cerca de 40 produtores de Icewine em Ontário. Vale lembrar que a VQA é a entidade responsável pela administração e aplicação na província de Ontário da Lei da Aliança pela Qualidade das Vinícolas (Vintners Quality Alliance, ou VQA), que rege o sistema de origem dos vinhos produzidos na região.

Em sua participação no festival da CCBC, Kaiser relatou que existem cerca de 180 vinícolas da região, sendo que 40 delas produzem anualmente 900 mil litros da bebida – ou 95% de toda a produção do Canadá. As principais variedades do Icewine da região são Vidal, Riesling and Cabernet e Franc.

 

Vinho ganha espaço

Ao aliar qualidades como seu processo não convencional de produção e sabor diferenciado, o Icewine canadense torna-se especialmente atraente para o consumidor brasileiro. Uma das principais razões é o fato de que o Brasil, sendo um país tropical, não oferece as condições climáticas adequadas para a produção do Icewine; a única tentativa nesse sentido foi feita em 2009, pela Vinícola Pericó, em São Joaquim (SC).

Outro fator é a reputação positiva destacada que o Icewine canadense tem no mercado internacional. Essa percepção está sintonizada à necessidade que tem sido demonstrada pelos consumidores brasileiros das classes A e B, que têm demandado produtos premium de alta qualidade.

Pouco afetados pela instabilidade econômica brasileira dos últimos anos, os consumidores que pertencem a esses grupos têm buscado novas experiências em termos de bebidas, favorecendo a importação de produtos de valor mais elevado. De acordo com o estudo Wine in Brazil: Market Opportunities, produzido pela CCBC, o público consumidor pertencente às classes A e B atualmente corresponde a 10% da população do país, ou 21 milhões de pessoas.

Além disso, o vinho tem sido percebido por essa faixa de consumidores, em mercados mais amadurecidos, como um produto aspiracional e cultural – ou seja, privilegia-se o produto exclusivo e a experiência única em detrimento da bebida que seja simplesmente de boa qualidade e preço baixo.

 

Consumo em alta

O potencial desse mercado está relacionado à consistente expansão do consumo de vinho no Brasil. Apesar de ainda representar apenas 2% do consumo total de bebidas em termos de volume, o país já ocupava, em julho de 2019, a 26ª posição entre os maiores mercados de vinho do mundo. Essa colocação, possibilitada pela existência de 32 milhões de consumidores habituais da bebida no Brasil, foi apontada em levantamento da consultoria britânica Wine Intelligence.

Dados atualizados para janeiro de 2020 confirmam essa tendência: o país apresentou um aumento de 8,3% na importação de vinho entre 2014 e 2019. O Brasil assistiu ao surgimento, apenas no último ano, de um contingente de 6 milhões de novos consumidores – elevando assim o total para 38 milhões de pessoas.

E essa expansão deverá se manter forte nos próximos anos. Projeções da consultoria Euromonitor International apontam para um crescimento de 3,9% no consumo de vinho no Brasil entre 2019 (330,4 milhões de litros) e 2024 (para quando se estima um volume de 399,4 milhões de litros).

A existência de um mercado forte no Brasil para o vinho em geral, aliado à necessidade crescente das classes A e B por produtos diferenciados, torna o Icewine canadense a opção ideal para consumidores exigentes.

 

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