O agro é tech

Seminário virtual apresenta potencialidades do setor agrícola brasileiro para empresas que desenvolvam soluções tecnológicas inovadoras

Por Sérgio Siscaro

A importância cada vez mais acentuada do agronegócio na economia brasileira, e a necessidade de o setor aumentar sua competitividade no exterior, tornam indispensável a incorporação de soluções tecnológicas que elevem o grau de produtividade no campo. Não é à toa que o segmento de startups dedicadas a desenvolver soluções para o agronegócio – as chamadas agtechs – vem crescendo nos últimos anos. Dados da Associação Brasileira de Startups (ABStartups) mostra que, de um universo total de 13,5 mil startups em atividade no país no início de abril de 2021, cerca de 3,56% atuam no setor agrícola.

Ciente da importância do setor, a Câmara de Comércio Brasil-Canadá (CCBC) promoveu em novembro passado o seminário virtual Challenges and opportunities of the Brazilian agribusiness, dedicado a apresentar uma visão panorâmica do desenvolvimento recente do agronegócio brasileiro e das oportunidades abertas para startups inovadoras. O evento fez parte da iniciativa Fusion AgTech Challenge, um programa de aprendizagem online realizado em conjunto com a aceleradora de startups Fabrique A, de Montreal, e integra uma programação regular, que em outubro do ano passado já possibilitou a startups brasileiras participarem da etapa Design Sprint – quando suas soluções e pitchs são testados e validados por experts da área.

O webinar foi apresentado pelo diretor de relações institucionais da CCBC, Paulo de Castro Reis, que destacou que o agronegócio brasileiro é o setor da economia que tem registrado um crescimento mais rápido – resultado de constantes investimentos em tecnologia, presentes desde o desenvolvimento de sementes até a introdução de maquinário moderno e novos processos de produção e distribuição.

Em seguida, a sócia-líder para o setor de agronegócio na KPMG, Giovana Araújo, compartilhou uma visão panorâmica do estado atual do agronegócio brasileiro. “No ano passado, o setor registrou um faturamento de R$ 1,6 trilhão, o que corresponde a 21% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil. Acreditamos que haja condições desse percentual subir para 24% em 2021”, afirmou.

Sustentabilidade e tecnologia

Segundo ela, o principal desafio do setor é continuar sendo lucrativo de forma sustentável – e a tecnologia é crucial para isso. “O ponto principal é aumentar a produtividade, a fim de maximizar o valor dos ativos já existentes. Já há mais investimentos em processos de digitalização e aumento de conectividade rural, por exemplo, que aumentam os ganhos do agronegócio brasileiro”, afirmou, ressaltando o papel da melhoria dos processos em elevar o grau de confiança dos consumidores nos produtos do campo.

Em seguida, a coordenadora-geral de mecanização, novas tecnologias e recursos genéticos do Ministério da Agricultura e Pecuária, Sibele de Andrade Silva, falou da visão estratégica do governo brasileiro sobre inovação na agricultura. Ela sublinhou a importância de o setor agrícola fornecer alimentos a um mundo cada vez mais populoso – especialmente no contexto das mudanças climáticas e seus efeitos negativos sobre a produtividade no campo – e ressaltou que o Ministério da Agricultura trabalha com quatro linhas-mestras de ação: sustentabilidade, segurança alimentar, alimentos seguros e sociedade. “Há também áreas estratégicas, como sustentabilidade, bioeconomia, tecnologias digitais, inovação e tecnologias ligadas à produção de alimentos”, acrescentou.

Incentivo à inovação

A seguir, duas iniciativas unindo tecnologia e agronegócio ganharam espaço no webinar. O diretor-executivo e CEO da AgriHub, Otávio Celidonio, apresentou a iniciativa – que se constitui em uma rede de inovação em agricultura, sediada no Mato Grosso, que identifica as necessidades dos produtores rurais e os conecta com startups, mentores, companhias de tecnologia, pesquisadores e investidores. A ideia é promover o melhor uso de soluções tecnológicas no campo. Dessa forma, o AgriHub espera contribuir para elevar a renda dos produtores rurais, incentivar o desenvolvimento sustentável pela via tecnológica, e possibilitar o aumento de produtividade agrícola.

A outra iniciativa foi apresentada pelo professor José Belasque Júnior, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da Universidade de São Paulo (USP). Ele abordou um programa da Esalq que tem a finalidade de fomentar a inovação no campo. ”A iniciativa é aberta a qualquer pessoa que tenha uma ideia inovadora relacionada ao agronegócio. Nesse processo, nós buscamos ajudar o projeto, identificar possíveis parceiros e analisar o plano de negócios, por exemplo. Se a ideia tem potencial, a startup pode funcionar nas instalações da universidade”, afirmou.

O fundador da Bioenergy Consulting, da Agri-REX e do programa “O Agro Não Para”, Marco Ripoli, abordou as oportunidades que o Brasil oferece em termos de soluções inovadoras no campo, como, por exemplo, no setor de maquinário. “O Brasil tem hoje aproximadamente 680 mil tratores em operação, e 170 mil colheitadeiras. A conectividade desses equipamentos à sede da fazenda, por exemplo, é importantíssima para o processo de tomada de decisões e a diminuição das perdas”, exemplificou, ressaltando que apenas com o aumento da conectividade será possível obter a totalidade dos resultados possibilitados pelas modernas tecnologias.

Os interessados em assistir ao Challenges and opportunities of the Brazilian agribusiness podem acessar o vídeo do evento no canal da Fabrique A da CCBC no YouTube.

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