Mel brasileiro adoça paladar canadense

Estudo inédito mostra oportunidades para exportadores ampliarem vendas no Canadá

Por Sérgio Siscaro

O Canadá é um grande consumidor de mel, mas sua produção interna vem diminuindo ano a ano – o que representa uma ótima oportunidade para produtores brasileiros que queiram diversificar seus mercados consumidores direcionando exportações do produto àquele país. Esta constatação faz parte do estudo  Mel no Canadá: Oportunidades para Exportadores Brasileiros, elaborado pelo departamento de promoção comercial do  consulado-geral do Brasil em Montreal em conjunto com a Câmara de Comércio Brasil-Canadá (CCBC), e apresentado no webinar Oportunidades para o Mel Brasileiro no Mercado Canadense em 15 de março.

De acordo com o levantamento, o Canadá importa mel de cerca de cem países – e o Brasil já ocupa a posição de segundo maior fornecedor do produto ao mercado canadense, superado apenas pela Nova Zelândia. De acordo com a responsável pelo estudo, Luiza Fernandes, da área de Inteligência Comercial da CCBC, um dos fatores que tem contribuído para isso, além da qualidade do produto brasileiro, é o fato de que não há tarifas de importação para o mel natural no Canadá. O país, inclusive, é atualmente o terceiro maior destino do mel brasileiro no mundo.

Prova deste potencial são os números das exportações brasileiras de mel natural – que em 2020 totalizaram US$ 4,37 milhões, ou 14% das importações canadenses do produto naquele ano. Em 2021, de acordo com informações da balança comercial brasileira, os embarques desse tipo de mel mais do que duplicaram, atingindo US$ 10,5 milhões.

“O intercâmbio comercial entre Brasil e Canadá aumentou em 2021, mesmo com a pandemia. Considerando apenas a província de Quebec, já somos o sexto maior fornecedor de produtos. Mesmo que no agronegócio o Canadá seja um competidor do Brasil em algumas áreas, de forma geral o país oferece muitas oportunidades para os exportadores brasileiros”, avaliou o cônsul-geral do Brasil em Montreal, Nedilson Jorge.

Apesar de ainda ser o sexto maior produtor de mel do mundo, o Canadá vem reduzindo ano a ano sua capacidade produtiva – passando de 42,89 mil toneladas em 2016 para 37,59 mil toneladas em 2020, um declínio de 12,35%. O impacto das mudanças climáticas nas principais regiões produtoras de mel no país, como Alberta, Saskatchewan e Manitoba pode ter relação com esta tendência.

Consumidor exigente

Caracterizado por ser um consumidor bem informado, de alto poder aquisitivo e bastante aberto a sabores e experiências novas, o canadense tem se mostrado receptivo ao mel brasileiro – condição que pode ser favorável aos exportadores. “O consumidor do Canadá, ao privilegiar experiências únicas, quer consumir uma história – ou seja, é mais propenso a comprar produtos que tragam uma narrativa sustentável – de seu processo de produção, por exemplo”, ponderou o  diretor de Relações Institucionais da CCBC, Paulo de Castro Reis.

Durante o evento de lançamento, foi destacado que o Brasil é fornecedor de sabores únicos de mel, além de outros produtos apícolas – tais como própolis, pólen, geleia geral e cera de abelha. “Existe potencial para expandir as exportações de mel e outros produtos apícolas brasileiros para o mercado canadense, que, apesar de exigente, se mostra também aberto a novos sabores e experiências”, constata.

Em 2020, o mercado canadense de sweet spreads (ou seja, produtos doces que podem ser espalhados em pães ou torradas, por exemplo) apresentou uma expansão de 11% na comparação com o ano anterior, atingindo US$ 648 milhões. A maior parte das compras foi feita em estabelecimentos varejistas, e o mel se mostrou o grupo mais dinâmico da categoria, com elevação de 16% nas vendas.

“O aumento do interesse por mel se deve principalmente à crescente demanda por substitutos mais saudáveis ao açúcar, e à maior preocupação trazida pela Covid-19 aos consumidores com a dieta e com medidas extras para evitar adoecer”, afirma o estudo. De acordo com os dados do levantamento, o mercado canadense de sweet spreads deverá  superar a barreira dos US$ 900 milhões até 2026.

O estudo também aborda a comercialização do mel nas principais redes varejistas do Canadá e as marcas predominantes no país; uma oportunidade bastante relevante para os produtores brasileiros é ingressar no segmento de private label, que em 2020 respondia por 33% do mercado canadense. E também traz as importações de mel natural por província: Ontário mantém a liderança, com participação de 57% em 2020, seguida de Quebec (27%) e Colúmbia Britânica (14%).

O estudo está disponível para download aqui.

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