Como conquistar resultados com políticas e ações de diversidade na empresa

Em recente debate na CCBC, a CEO da BRK Ambiental, Teresa Vernaglia, lembrou que a falta de saneamento básico no Brasil afeta muito mais as mulheres. Como? Tudo começa no papel da mulher na família. Segundo a executiva, quando uma criança se contamina na água suja, em geral cabe à mãe levá-la ao posto de saúde – e ficar em casa com o filho até que ele tenha condições de voltar à escola. “Nem sempre o mercado está preparado para lidar com as necessidades dessa colaboradora”, disse.

O debate integrou o evento “Como a gestão da diversidade contribui para uma cultura de alto desempenho”. Promovido em novembro pela Comissão da Diversidade da CCBC, o encontro confirmou a visão de que trabalhar o tema é muito mais complexo do que simplesmente incorporar expressões como igualdade de gênero ou inclusão de minorias às comunicações da empresa.

“Buscar a diversidade envolve entender o dia a dia de pessoas com vivências distintas”, explica a advogada Esther Nunes, ex-presidente da Câmara e uma das coordenadoras da Comissão. “A mulher que precisa faltar ao trabalho para cuidar do filho já parte de uma condição diferente da experimentada pela maioria dos homens”.

Evento marcou o lançamento do ebook “Contrata-se Diversidade”, idealizado pela equipe da CCBC, com cases de sucesso e melhores práticas de recrutamento e seleção inclusivas.

De acordo com Esther, em um primeiro momento a Comissão da CCBC fundada em 2018 buscou promover a conscientização das empresas sobre a importância da diversidade. Hoje a ideia é ajudar as organizações a implementarem ações efetivas.

“Queremos mostrar que é possível e para isso os cases do ebook são excelentes. Em 2020, mais do que os debates vamos realizar workshops focados em exercícios e prática”, destaca Esther, lembrando que a participação de pessoas com deficiência, comunidades LGBT, negros, refugiados, entre outros segmentos da sociedade, no mercado de trabalho também estão no escopo das discussões da Comissão.

O ebook lançado em novembro foi criado com base no seminário “Processos Seletivos: como viabilizar a inclusão mantendo os patamares de excelência exigidos pelas empresas”, realizado em abril na CCBC. A obra contém cases de marcas como Google, TD Bank, Boticário e escritórios de advocacia. Saiba como sua empresa pode se beneficiar com a diversidade e inspire-se para conquistar resultados. Baixe a publicação “Contrata-se Diversidade” aqui.

Por que incentivar a diversidade?
A busca pela diversidade reflete uma mudança de paradigma das empresas. Em outras épocas, as organizações preferiam o colaborador que se adequasse a um padrão rígido de comportamento e experiência. Agora elas identificam que a diferença é sinônimo de pontos de vista variados, que se traduzem em facilidade para entender os colegas, os clientes e produzir inovações – além, é claro, de refletirem a preocupação com um mundo mais justo.

“Essa busca pela diversidade tem acontecido por força de pessoas que mesmo fazendo parte de algum grupo excluído superaram obstáculos e chegaram à cúpula das organizações. Tem acontecido por pressões da sociedade como um todo e pela percepção de que a diversidade é benéfica”, acredita Alexandre Sabbag, sócio da Boyden, empresa internacional de seleção de executivos, presente em mais de 40 países.

O benefício é comprovado pelos números. Segundo a consultoria The Clear Company, há um aumento médio comprovado de 41% na receita de equipes que são igualmente representadas entre homens e mulheres. A pesquisa “A diversidade como alavanca de performance”, da McKinsey & Company, conclui que equipes executivas de maior diversidade étnica – não só em termos de representação absoluta, mas também de variedade ou mistura de etnias – têm probabilidade 33% maior de superar seus pares em lucratividade.

Discutir a diversidade até tornar a discussão “irrelevante”
Um dos organizadores dos eventos da Comissão da Diversidade, Sabbag defende que a missão da CCBC é tornar o tema da diversidade irrelevante. “Falamos da diversidade porque precisamos conscientizar as pessoas sobre o tema. Quando deixarmos de falar no assunto é sinal de que terá avançado o suficiente”, diz. “É como o voto feminino no Brasil. É desnecessário lembrar sobre sua importância o tempo todo”.

Cônsul e Chefe do Setor Comercial do Consulado Geral do Canadá no Brasil, Elise Racicot coordena a Comissão da Diversidade ao lado de Esther. Segundo ela, a atuação direta do Consulado na Comissão demonstra que o tema é prioridade no governo do Canadá. “Queremos promover um comércio mais inclusivo, diverso e moderno, que crie espaço para uma participação mais amplia de toda a sociedade”, afirma.

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