Amendoim brasileiro conquista o Canadá

Aumento de mais de 2.000% nas exportações em 2020 evidencia reconhecimento da qualidade do produto vendido e pode indicar o início de uma relação de longo prazo

 Por Sergio Siscaro e Estela Cangerana

Os números do intercâmbio comercial entre Brasil e Canadá  em 2020 trouxeram um dado muito positivo. As exportações brasileiras de amendoim descascado (mesmo que triturado) atingiram US$ (FOB) 7,3 milhões no período, o que representou um crescimento de 2.174% em relação a 2019. Com isso, o amendoim tornou-se o 33º produto brasileiro mais vendido ao Canadá. A estatística foi divulgada no boletim trimestral Quick Trade Facts, organizado pela CCBC a partir dos números oficiais de comércio exterior entre os dois países.

Para os especialistas, o incremento nos negócios foi motivado por uma conjunção de fatores, como o aumento do consumo de snacks (entre eles o amendoim) pelas famílias, somado à oferta de um produto de alta qualidade pelo Brasil e o interesse de mais exportadores em ganhar novos mercados. Mais do que um aumento pontual, o desempenho do amendoim pode indicar também o início de uma relação comercial de longo prazo, resultante do trabalho sério de aprimoramento de toda a cadeia do setor.

De acordo com o diretor de Relações Institucionais da CCBC, Paulo de Castro Reis, o desempenho confirma o sucesso do Programa Pró-Amendoim, da Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim e Balas (Abicab), que há duas décadas vem trabalhando no sentido de aumentar a aceitação do amendoim brasileiro no exterior. “[O produto] passou a ser um case de sucesso e referência mundial na qualidade. E não foi diferente com relação ao Canadá”, afirma.

Competitividade internacional

O programa apoiou o desenvolvimento de novas variedades do produto, mais resistentes, com maior produtividade e de alta qualidade. “Hoje o Brasil pode vender seu amendoim para qualquer país do mundo. Temos condições para atender aos padrões mais rigorosos de qualidade”, complementa o vice-presidente da Abicab, Renato Fechino. Ele lembra que, atualmente, a produção do amendoim está entre as mais rentáveis de toda a cadeia do agronegócio.

O Brasil é o 14º maior produtor mundial de amendoim e tem uma base exportadora em expansão. Em 2020, o produto nacional foi vendido para 79 países. Os embarques in natura totalizaram 259 mil toneladas, correspondentes a US$ 319 milhões (alta de 38% com relação ao ano anterior). Para se ter uma ideia da evolução do setor, essa quantidade representou um aumento de mais de 150% em cinco anos. Em 2015, foram exportadas 100,8 mil toneladas de amendoim in natura.

O produto processado, por sua vez, contabilizou US$ (FOB) 9,8 milhões, equivalente a 5 mil toneladas.

O Pró-Amendoim, que é um programa de auto-regulamentação, foi essencial para as mudanças dos últimos anos. “Foram estabelecidas normas específicas para o produto e um selo de qualidade que monitora as empresas anualmente para sua renovação”, explica Fechino. O programa envolve a coleta e análise de itens disponíveis no mercado, a fim de detectar eventuais irregularidades – que são comunicadas às autoridades competentes. Os produtos que garantem a segurança e atendem às normas recebem o selo “Qualidade Certificada Pró-Amendoim-Abicab”.

Mercado promissor

Enquanto o reconhecimento ao produto brasileiro cresce no mercado mundial, o Canadá se apresenta como um dos grandes importadores globais. “É um mercado consumidor potencial muito importante. Atualmente os Estados Unidos são seu principal fornecedor, mas mesmo assim há espaço para o amendoim brasileiro crescer ainda mais”, avalia Fechino.

Segundo ele, as empresas brasileiras estão conscientes disso e bastante atentas. “Tenho convicção de que o Canadá estará na lista de todas as empresas que querem expandir suas exportações, pela importância que seu mercado representa”, diz.

A popularidade do amendoim no Canadá não deveria ser uma surpresa. Afinal, foi o país que inventou a manteiga de amendoim, que é extremamente popular nos Estados Unidos. Em 1884, o químico canadense Marcellus Gilmore Edson obteve a primeira patente do produto, hoje largamente consumido.

“O exportador brasileiro tem interesse em manter essa canal de relacionamento com o Canadá, e aumentá-lo. O Canadá é um mercado promissor; há muitas oportunidades, e eu tenho certeza que esse relacionamento será de longo prazo”, finaliza.

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