Saint John: onde Brasil e Canadá se encontram

Porto canadense assiste à ampliação do comércio entre os dois países e a diversificação da pauta de produtos 

Por Sérgio Siscaro

Com uma corrente de comércio exterior de US$ 5,6 bilhões em 2018, o aumento de negócios entre Brasil e Canadá tem se mostrado uma ótima oportunidade para as empresas de ambos os países diversificarem seus mercados. A relação segue uma rota de franca ampliação, com o crescimento de 25% nas operações de exportação e importação no ano passado na comparação com 2017. Na base de todo o movimento, a estrutura logística ganha importância para permitir o escoamento de tantas transações, com impacto direto nos portos. Saint John, na costa leste do Canadá, tem participado ativamente desse processo.

“Os avanços que assistimos hoje em termos de intercâmbio comercial entre os dois países sinalizam para as oportunidades que veremos no futuro. Uma vez que nossos governos enxerguem as possibilidades para comércio, veremos mais empresas seguindo essa tendência”, afirma a gerente de Desenvolvimento de Cargas do porto de Saint John, Shannon Blanchard. “Temos percebido em nosso trabalho que diversas indústrias do Brasil estão colocando o Canadá como um interessante mercado para suas exportações”, acrescenta, lembrando que o transit time entre os portos Santos e Saint John é de aproximadamente 30 dias.

Blanchard sabe bem do que fala. O incremento nos negócios e as expectativas de expansão futura ainda maior colocaram o Brasil de vez na rota do seu trabalho. Ela faz viagens frequentes ao País para eventos e reuniões de negócios, com feedbacks bastante positivos. “Só nos últimos 18 meses, já estive no Brasil por quatro vezes, e gostei muito do que vi nesse tempo. Claramente há uma abertura para as oportunidades comerciais e estou bastante otimista em relação a esse intercâmbio.”

Segundo a executiva, o Canadá oferece inúmeras oportunidades e proximidades que estão sendo percebidas cada vez mais no mercado brasileiro e vice versa, e o porto de Saint John tem tradição nesses negócios, já que tem sido utilizado para movimentar o comércio exterior entre os dois países há dez anos.

De acordo com Blanchard, as trocas bilaterais têm se baseado em produtos agrícolas e florestais (do Canadá para o Brasil) e itens como açúcar, café e alimentos em geral (do Brasil para o Canadá). “Mas temos visto produtos mais de nicho vindo do Brasil, como cafés especiais”, aponta. “Acreditamos em novas oportunidades surgindo entre os dois países. Somos otimistas no crescimento desses números, nos dois sentidos – inclusive com mais companhias brasileiras vindo ao Canadá para explorar as oportunidades”, completa.

O avanço das negociações para a assinatura de um acordo de livre comércio entre o Canadá e os países do Mercosul está no radar do porto, com a intensificação que será gerada para as importações e exportações entre o Canadá e o Brasil. O tratado poderá contribuir para diversificar a pauta de produtos comercializados, predominantemente representados por commodities minerais e agrícolas, e incluir bens de maior valor agregado, tanto brasileiros quanto canadenses.

Localizado na parte meridional da província de New Brunswick, o porto de Saint John tem sido utilizado como um hub para produtos brasileiros com destino ao Canadá e, inversamente, pelas empresas que exportam bens ao Brasil. Ele é servido por rotas dos armadores CMA CGM e MSC, que o ligam a diversos pontos das Américas, incluindo o porto de Santos. Além disso, dispõe de instalações da DP World, um dos maiores operadores de cargas conteinerizadas do mundo, e oferece acesso tanto ao mercado doméstico do Canadá quanto dos Estados Unidos, uma vez que está próximo à fronteira entre os dois países.

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