O passado vive em Montreal

Projeto Cité Mémoire convida visitantes e moradores a viajarem no tempo e se encontrarem com personagens anônimos e ilustres da história da cidade

Por Sérgio Siscaro

Proporcionar uma experiência imersiva única para quem caminha pelas ruas de Montreal (Quebec), trazendo de volta as pessoas anônimas que contribuíram para construir a cidade. Esta é a lógica por trás do projeto Cité Mémoire, desenvolvido pelo artista multimídia canadense Michel Lemieux, que esteve no Brasil no início de maio, participou do Fórum Gramado de Estudos Turísticos e visitou a sede da Câmara de Comércio Brasil-Canadá (CCBC) em São Paulo. “O projeto permite uma ‘viagem de aprendizado’, na qual os turistas podem unir o lazer ao prazer de conhecer e absorver o espírito da cidade”, conta.

A ideia é integrar ao cotidiano dos moradores e visitantes de Montreal a história da cidade. A experiência não se limita a apontar locais onde ocorreram fatos importantes e tem o objetivo de mostrar que pessoas comuns, das mais diversas origens, viveram na região e contribuíram para que ela se tornasse o que é hoje.

Além das imagens, é possível se ter acesso a conteúdo complementar em áudio, por meio de um aplicativo para telefone celular disponível em quatro idiomas (francês, inglês, espanhol e mandarim). “Pode-se baixa um conteúdo mínimo sobre o projeto. Mas, para experimentá-lo de fato, é necessário caminhar pela cidade”, explica o artista.

As imagens projetadas reconstituem cenas do passado de Montreal, que vão desde os mitos de criação dos povos originários até momentos marcantes da cidade – como o incêndio do Parlamento, em 1849, a realização da Exposição Mundial em 1967, e o bed-in feito por John Lennon e Yoko Ono no hotel Fairmont The Queen Elizabeth, em 1969. Mas também revelam cenas de pessoas comuns, de diversas origens, que viveram na cidade. “A ideia é que somos como nossos ancestrais, temos as mesmas emoções”, afirma.

Trajetória multimídia

Com 40 anos de carreira, Lemieux já mesclava música, teatro e projeção de imagens em produções encenadas em Quebec. Por meio de sua empresa, a Lemieux Pilon 4D Art, colaborou quatro vezes com o Cirque du Soleil, e participou de diversas iniciativas no Canadá, Estados Unidos, Europa, América Latina, Austrália e Ásia. O Cité Mémoire foi criado em 2016, com a parceria do colaborador de Lemieux na 4D Art, Victor Pilon, e do premiado dramaturgo canadense Michel Marc Bouchard, autor de peças como Le chemin des Passes-dangereusesLiliesLes Muses orphelines e Tom à la ferme – as três últimas transpostas para o cinema. O projeto está sendo “exibido” desde então – com interrupções de apenas um mês por ano para manutenção.

“Tivemos a colaboração total do governo em suas três esferas (federal, provincial e municipal), e o apoio do Banco de Montreal. Mas não sofremos nenhuma pressão ou ingerência em nosso trabalho. Tivemos total liberdade para desenvolver o projeto”, conta o artista, acrescentando que a 4D Art estuda a possibilidade de criar versões do Cité Mémoire em outras cidades, como Paris. “Talvez algo ligado ao espírito dos Jogos Olímpicos, com um feitio mais romanesco do que teatral.”

O Cité Mémoire foi visitado pelos representantes da CCBC que foram recentemente ao Quebec, durante a realização da conferência de negócios C2, que aconteceu entre 22 e 24 de maio.

 

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