Brasil: celeiro de startups

Atrativos do País o colocam em posição privilegiada no mapa mundial das novas empresas de tecnologia e inovação 

Por Sérgio Siscaro e Estela Cangerana 

 

Território enorme, formação multicultural, abertura a novas ideias, berço de criatividade. Algumas das características que se encaixam perfeitamente para o Canadá também fazem parte da realidade do Brasil. O país, que possui ainda uma população de mais de 200 milhões de habitantes e um custo baixo devido à moeda desvalorizada, tem apresentado um crescimento impressionante no número de polos de inovação. Mais do que isso, o aumento no número de empreendedores, características regionais e econômicas e a entrada de algumas startups brasileiras na cobiçada lista de unicórnios colocaram cidades como São Paulo na lista dos lugares mais promissores do mundo. 

De acordo com o Global Startup Ecosystem Report 2019, elaborado pela Startup Genome, a capital paulista é destaque entre as cidades cujos ecossistemas estão em expansão e devem se consolidar como hubs de inovação importantes mundialmente nos próximos anos, a lista dos Next 30. Em comum, todas as cidades dessa lista têm pelo menos um unicórnio (startup avaliada em mais de US$ 1 bilhão), forte liderança regional e liderança em alguma vertical de negócios. 

São Paulo é apontada entre os Top 10 principais ecossistemas globais para talentos acessíveis, Top 30 melhores para fintechs (startups do setor financeiro), além de forte atuação também de startups voltadas à sáude. De acordo com o relatório, o ecossistema local tem valor de US$ 5,1 bilhões. Entre os benefícios oferecidos pelo governo estão isenções em impostos sobre receitas, sobre importação e exportação e sobre produtos manufaturados. O acesso a instituições de ensino e pesquisa de ponta, como a Universidade de São Paulo (USP), que é a 1ª colocada na América do Sul no ranking global de universidades, é ainda um diferencial. 

Outras cidades do Brasil também despontam com características igualmente atrativas para as startups. Rio de Janeiro (RJ), Belo Horizonte (MG), Porto Alegre (RS) e Fortaleza (CE) são algumas delas. Florianóplis (SC), por exemplo, é a cidade brasileira com maior número de startups por habitante, segundo estatísticas da Associação Catarinense de Tecnologia (Acate). Estima-se que no estado de Santa Catarina, que representa 3% da população brasileira, estejam 20% das startups do País, atrás apenas de São Paulo. 

Dados da Associação Brasileira de Startups (ABStartupsapontam que atualmente existem no Brasil cerca de 12 mil startups, atuando em diferentes segmentos, de áreas como software como serviço (SaaS) e desenvolvimento de aplicativos, a setores bastante distintos. Um exemplo são as fintechs: ao utilizarem a tecnologia para competir com os bancos tradicionais, possibilitando aos correntistas e investidores uma experiência mais vantajosa, elas vêm conquistando um lugar cada vez mais relevante no mercado. Hoje essas empresas detêm uma grande capacidade de atrair novos talentos no mercado de trabalho: levantamento da rede social LinkedIn em 2018 mostrou que 13 das 25 startups mais desejadas são do setor financeiro. 

De forma semelhante, o agronegócio brasileiro também tem se beneficiado das soluções trazidas pelas novas empresase nelas encontra um forte aliado para elevar a produtividade. Em 2018, o estudo Radar AGTech Mining Report já mostrava que a existência de pelo menos 135 startups voltadas ao desenvolvimento de tecnologias agrícolas no País, as agritechs. O leque de inovações trazido por elas se aplica em áreas como agricultura de precisão, tecnologias de monitoramento e processamento de dados, uso de soluções robóticas e drones, novos métodos para plantio e criação de animais e controle de pragas, entre outros. Entre 2016 e 2017, o volume global de investimentos em agritechs subiu 94,2%, passando para US$ 437 bilhões.  

Elos conectados 

O crescimento do setor ainda estimulou a criação de novas formas de conexão entre os elos da cadeia da inovação. A relação com parceiros internacionais pode ser determinante para elevar a capacidade das startups em captar financiamentos ou desenvolver soluções de tecnologia. Dessa necessidade nasceu, por exemplo, a plataforma Connection Bureau, da Comissão de Tecnologia da Câmara de Comércio Brasil Canadá, um aliado no processo de internacionalização, que aproxima e facilita o relacionamento entre empreendedores e o mercado, viabilizando projetos.  

iniciativa permite a troca de experiências e a realização de negócios entre companhias dos dois países, sejam elas startups, investidoras, incubadoras, aceleradoras ou prestadoras de serviçosConnection Bureau contribui para unir potenciais parceiros, dando condições e orientações para que as startups possam se lançar ao mercado internacional de forma segura e bem-sucedida.  

Nos últimos 18 meses, a plataforma recebeu mais de 150 inscrições de empresas interessadaspossui hoje 114 membros, dentre eles 56 startups. Em breve, será lançado um sistema de mentorias online para startups (tanto brasileiras quanto canadenses), que possibilita o acesso a serviços de suporte em diversas áreas, como assistência jurídica.  

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