Tema pode trazer maior lucratividade para as empresas

Há casos em que diversidade no local de trabalho não passa de discurso. Mas as corporações que conseguem transformar o discurso em prática têm as estatísticas a seu favor. De acordo com um estudo da McKinsey & Company, a diversidade étnica, cultural e de gênero impacta diretamente na performance financeira das companhias em vários países do mundo.

 

A pesquisa “A diversidade como alavanca de performance”, publicada este ano, avaliou mais de mil empresas de 12 países. Uma das conclusões é que organizações com equipes executivas de maior diversidade étnica – não só em termos de representação absoluta, mas também de variedade ou mistura de etnias – têm probabilidade 33% maior de superar seus pares em lucratividade.

 

No que diz respeito à diversidade de gênero nas equipes executivas, também há correspondência com os resultados das organizações. O relatório aponta que as empresas que investem na diversidade de gênero são 21% mais propensas a obter lucratividade acima da média. “Profissionais com culturas e perfis distintos trazem visões diferentes e isso é fundamental, pois sem visões diferentes uma empresa não consegue inovar. E sem inovar uma empresa não sobrevive”, diz Esther Nunes, advogada, ex-presidente da CCBC (2013-2017) e coordenadora da Comissão da Diversidade da Câmara.

 

Em novembro, a Comissão organizou em conjunto com o associado CEOlab o seminário “Dividendo, Diversidade, Inovação e Criatividade”, que discutiu o tema como forma de gerar valor para as empresas. O próprio formato do encontro foi diferente do tradicional. Em vez de longas palestras, o mentor e conselheiro da CEOlab Pedro Lins dedicou o evento a perguntas e respostas, incentivando a troca de ideias entre o público de cerca de 50 pessoas.

 

Não basta diversificar, tem que dar oportunidades à diversidade

 

Para fazer efeito, a diversidade tem que ir além do processo seletivo e ser abraçada pela cultura das empresas, com práticas diárias e aceitação pelos funcionários. Monica Busch, gerente regional da EBC, contou no seminário que é comum a empresa reunir colaboradores de diversas partes do mundo via conference call antes de tomar decisões importantes, o que garante uma visão mais abrangente e melhores respostas.

 

Esther Nunes sugere às organizações que não alcançam metas de diversidade questionarem o motivo, em vez de simplesmente dizerem que não encontram talentos no mercado para preencher as vagas. Ela cita o exemplo de um escritório de advocacia americano onde um grupo de funcionárias lançou um manual sobre como reter talentos femininos. O grupo se expandiu e alcançou diferentes países da América Latina, com troca de experiências em reuniões, palestras e outros eventos.

 

No Brasil, depois de uma pesquisa informal, o Centro de Estudos das Sociedades de Advogados (Cesa) descobriu que menos de 1% dos advogados dos seus escritórios associados é negro. A partir daí o Centro se uniu à Universidade Presbiteriana Mackenzie para criar o projeto Incluir Direito, em que alunos autodeclarados negros “receberão qualificação personalizada para que sejam candidatos absolutamente competitivos em quaisquer processos seletivos”.

 

“Hoje grandes empresas precisam se adequar às metas de diversidade, pois muitas delas fazem negócios apenas com quem cumpre as metas. Mas essa é uma demanda surgida entre os próprios grupos que não se sentiam representados, como mulheres, negros e LGBT, passando a procurar novos caminhos”, ressalta Esther.

 

A Comissão da Diversidade da CCBC foi criada há pouco mais de um ano com objetivo de fomentar as boas práticas entre as empresas associadas à Câmara. A iniciativa está alinhada ao foco que o governo canadense possui no tema e prevê novos eventos para o próximo ano. O Canadá tem uma das legislações e práticas mais avançadas do mundo sobre diversidade.

 

No seminário “Dividendo, Diversidade, Inovação e Criatividade”, participaram Andréa Ziravello (Thomson Reuters), Anouk Bergeron-Laliberté (Consulado Geral do Canadá), Beatriz Ferreira Raimundo (Aegea), Esther Nunes (CCBC), Flávia Vieira (Bombardier), Gabriel Lopes (Malkovich Design & Comunicação), Guillaume Légaré (National Bank), Mariana Deperon (Tree Diversidade) e Monica Busch (EDC), Pedro Lins (CEOlab)

 

 

CEOlab e CCBC: outros temas

 

A CCBC e a CEOlab continuarão em 2019 com sua programação com foco nas lideranças das empresas. Em fevereiro está previsto um evento sobre as perspectivas políticas e econômicas para o ano.

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