O futuro é dos orgânicos

Mercado de produtos orgânicos cresce muito além de frutas e verduras, e abre grande oportunidades de negócios entre o Estado de São Paulo e o Canadá.

Por Estela Cangerana

Se os cuidados com a saudabilidade, a origem dos alimentos e o meio ambiente já eram um fator importante para a decisão de compra dos consumidores canadenses antes da pandemia do novo coronavírus, agora esses pontos devem ter peso exponencialmente maior. A aceleração da mudança de mindset deve atingir em cheio – e muito positivamente – o mercado de produtos orgânicos, que, entre outras coisas, trazem garantias de origem e métodos ambientalmente responsáveis de produção. E o estado de São Paulo, potência agro brasileira e grande parceiro do Canadá, pode ter muito a ganhar com isso.

“A preocupação dos consumidores com a saúde e o ambiente já faziam do setor de orgânicos um dos que mais crescem no Canadá. Somos o 7º maior mercado do mundo em valor nesse segmento”, confirma a cônsul geral do Canadá em São Paulo, Heather Cameron.

Embora ainda pequeno, com 3,2% de market share, as altas taxas de expansão e os hábitos de consumo em torno dos orgânicos tornam esse mercado altamente atrativo para novos entrantes. Considerando alimentos e não alimentos, a atividade movimenta no país atualmente CAD$ 6,4 bilhões ao ano (cerca de US$ 4,8 bilhões), de acordo com a Canada Organic Trade Association. Desse total, os alimentos respondem por CAD$ 5,2 bilhões (aproximadamente US$ 3,9 bilhões), especialmente frutas e vegetais.

Os dados da empresa de pesquisas Euromonitor International confirmam as boas perspectivas. O mercado de alimentos frescos cresceu 5% no Canadá entre 2014 e 2019, e deve seguir o mesmo patamar até 2024. Em contrapartida, tanto o segmento de alimentos orgânicos embalados quanto o de bebidas orgânicas tiveram incrementos que atingiram até 8% em 2019 e têm expectativa de igual percentual em 2024. Dentro desses ramos há destaques como a categoria de chocolates, com 21% de alta no ano passado, e a de chás de frutas e ervas, com elevação de 12% no período.

 

Proximidade

São Paulo, que já é o principal parceiro do Canadá entre os estados brasileiros e possui um forte peso no agronegócio, tem tudo para se beneficiar com isso. Dos US$ 5,6 bilhões da corrente comercial entre Brasil e Canadá no ano passado, US$ 1,3 foram com o estado paulista, com destaque para as transações de agro.

O estado é conhecido por ter o maior canavial do mundo e responde sozinho por 50% de toda a produção de cana, etanol e açúcar do Brasil. Também arca com 70% de todo o suco de laranja produzido no mundo e possui o principal porto da América Latina, em Santos, conforme lembra o secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Gustavo Junqueira. “Certamente, pelo menos uma parte do suco de laranja consumido no Canadá deve ter tido origem de São Paulo”, diz.

Junqueira também destaca a proximidade do estado com o país da América do Norte na relação do trigo canadense com a farinha de trigo de São Paulo, e as parcerias no leite e na carne bovina. Ele acredita que os orgânicos paulistas têm todas as condições de estarem, em um futuro próximo, nessa conta. Não apenas os produtos tradicionais, como frutas, verduras e legumes, como também outros itens, tais como o leite orgânico paulista e a semente de milho orgânica.

A Secretaria de Agricultura e Abastecimento criou um grupo de trabalho especial para tratar de políticas públicas para orgânicos e vem atuando para apoiar o setor, ao mesmo tempo em que tenta coibir falsificações. “Estamos trabalhando em uma certificação de produto orgânico de São Paulo”, diz o secretário, que ressalta as iniciativas de rastreabilidade, inovações tecnológicas no campo e plataformas, como a que aproxima produtores de consumidores.

Embora o Brasil e o Canadá ainda não tenham acordo de equivalência para certificação de orgânicos (ou seja, um selo brasileiro ainda não é válido para reconhecimento no território canadense), o governo paulista já manifestou interesse em avançar em um trabalho conjunto nesse sentido. “Sem dúvida, conversar com o Canadá para podermos dar uma certificação adequada aos moldes canadenses é um caminho a se explorar”, afirma o secretário.

 

Oportunidades

Junqueira e a cônsul Heather Cameron participaram recentemente do 12º Bate Papo de Comex, da Comissão de Comércio Exterior da CCBC, apresentado e moderado pelo coordenador da Comissão e vice-presidente de Comércio Exterior da Câmara, Fernando Marques. O evento virtual também contou com uma apresentação do mercado canadense de orgânicos elaborada pela coordenadora de Inteligência Comercial da instituição, Andrea Mansano.

O acesso a dados detalhados dos segmentos do mercado canadense e as oportunidades de negócios, bem como a conexão com possíveis compradores, parceiros e a organização de missões comerciais são alguns dos serviços oferecidos pela CCBC.

O Canadá e o Brasil também mantêm contato próximo para outras iniciativas no campo de pesquisas e desenvolvimento do agronegócio. No último dia 20 de julho, por exemplo, o Agri-Food Canada (AAFC) e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) formalizaram, com um memorando de entendimentos, a cooperação técnica entre as duas instituições. O trabalho deve tratar, principalmente, de questões como a edição gênica, agricultura de precisão, cereais, mudanças climáticas e sustentabilidade dos sistemas, entre outros temas.

 

Para saber mais:

Assista o 12º Bate-Papo de Comex na íntegra em https://www.youtube.com/watch?v=-VxgLQda-Hk

Para falar com a CCBC sobre orgânicos ou outros nichos de mercado: [email protected]

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