Múltiplas oportunidades à vista

Comissão de Investimentos e Infraestrutura promove a conexão entre investidores canadenses e as muitas possibilidades de obras por todo o Brasil

Por Estela Cangerana

Obras de infraestrutura, concessões de portos, aeroportos ou rodovias, investimentos nos setores da saúde, mobilidade urbana, óleo e gás, energias sustentáveis e saneamento são apenas alguns exemplos das muitas oportunidades de negócios que estão se abrindo para a iniciativa privada em vários estados brasileiros. Em muitas delas, a experiência canadense pode ser um diferencial importante, que começa a ser percebido pelos governos regionais. Desde o primeiro semestre do ano passado, encontros promovidos pela Comissão de Investimentos e Infraestrutura da CCBC (CII) com secretários estaduais e investidores canadenses têm servido de elo para relacionamentos promissores.

“Os estados estão bastante ativos em seus programas de concessões e licitações. Temos percebido o interesse em buscar investidores estrangeiros e, entre eles, os canadenses, que possuem uma longa tradição em investimentos em infraestrutura no Brasil”, afirma o coordenador da CII, Bayard Lima, sênior vice-presidente de Investimentos da Brookfield. Na outra ponta, as possibilidades de negócios apresentadas pelos governos têm tido grande receptividade por parte dos empresários canadenses. “Os encontros vêm revelando uma enormidade de oportunidades em várias localidades”, complementa.

A agenda da CII em 2020 contou com reuniões com secretários de São Paulo (abril), Paraná (agosto), Bahia (setembro) e Rio Grande do Sul (novembro). Para 2021 já estão programadas apresentações dos projetos estaduais pelos secretários do Ceará, Mato Grosso e Pará, entre outros. “A CCBC tem atuado como um grande canal de comunicação para mostrar as oportunidades reais do Brasil para possíveis interessados no Canadá”, explica Lima. Segundo ele, a expectativa é de intensificar esse trabalho, com a possibilidade, inclusive, de futuras missões entre os dois países.

O Brasil é o maior receptor de investimento estrangeiro direto (IED) na região da América Latina e Caribe, e o sexto maior do mundo, de acordo com o World Investment Report 2020, da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD). Os dados, referentes ao ano de 2019, indicam que US$ 72 bilhões em IED entraram no País naquele ano, uma alta de 20% em relação a 2018.

Setores

De acordo com o relatório, entre os principais motivos para essa atração estiveram as oportunidades nos setores de óleo e gás e de energia, além do amplo programa de privatizações lançado pelo governo. Durante os nove primeiros meses de 2019, o Brasil levantou cerca de US$ 20 bilhões por meio de privatizações e desinvestimentos, US$ 1,4 bilhão em pagamentos de concessões em infraestrutura e por volta de US$ 3 bilhões em “vendas de ativos naturais”, que se referem principalmente a áreas de exploração de petróleo da Petrobras.

Para além das oportunidades ofertadas pela esfera federal, há as muitas regionais, como a concessão da estrada de ferro Ferroeste e dos aeroportos de Bacacheri (Curitiba), Foz do Iguaçu, Londrina e do Aeroporto Internacional Afonso Pena (São José dos Pinhais), todos do Paraná. No Rio Grande do Sul, a privatização de ativos imobiliários e da Companhia Riograndense de Mineração, a concessão de parques ambientais e do Cais Mauá. Em vários estados, a venda de empresas de energia, concessões de serviços de saneamento e cerca de 8 mil quilômetros de estradas. Esses são apenas alguns exemplos que representam um movimento que deve se intensificar nos próximos anos, motivado pela necessidade de estimular a economia do País e promover o desenvolvimento, ao mesmo tempo em que os governos contam com orçamentos públicos restritos.

Na outra ponta, o Canadá é apontado como o sexto maior investidor global de 2019, com US$ 77 bilhões aportados, uma alta de 54% sobre o período anterior, segundo o relatório da UNCTAD. O país foi o quinto que mais investiu na América Latina e Caribe em 2018, e está, ainda, entre os que maiores responsáveis pelo IED que vem para o Brasil.

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