CCBC apresenta oportunidades no setor de construção civil

Intercâmbio entre Brasil e Canadá e incentivo ao uso de soluções tecnológicas foram alguns dos temas abordados no último Bate-Papo de Comércio Exterior

 Por Sérgio Siscaro

Os desafios trazidos pela disseminação do novo coronavírus tornam mais urgente a tarefa do Brasil de reativar sua economia – e um dos setores que mais pode contribuir para essa recuperação é o de construção civil. A participação do setor no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro revela sua importância, o que também se aplica ao Canadá: da mesma forma como ocorre aqui, lá também as três indústrias componentes da engenharia, reparos e outros serviços de construção contribuem de forma decisiva na geração de riqueza do país.

Em sua última edição, realizada em 28 de outubro, o Bate-Papo de Comércio Exterior – evento regular promovido pela CCBC para discutir assuntos relacionados à aproximação comercial entre Brasil e Canadá – discutiu o tema “O mercado de construção civil no Brasil e Canadá”. Realizado de forma virtual, o evento reuniu o diretor de Inovação da Teckma Engenharia, Carlos A. Guerretta; o CEO da Noah, Nicolaos Theodorakis; e o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), José Carlos Martins. A moderação ficou a cargo do gerente de desenvolvimento de negócios do Grupo V. Santos e vice-presidente da Comissão de Comércio Exterior da CCBC, Fernando Marques.

De volta à natureza

Casas de madeira são usadas em diversas partes do mundo, e o Canadá não é exceção. Capazes de oferecer as mesmas vantagens da construção tradicional em termos de resistência dos materiais, a madeira também se constitui em uma opção muito mais sustentável – e econômica. “Nossa empresa desenvolve tecnologias de construção que não contribuam com a emissão de CO2. Temos trabalhado junto com empresas canadenses nesse sentido, com o apoio da CCBC”, afirmou Theodorakis, da Noah.

Ele contou que, dentro do desenvolvimento de uma cadeia produtiva de construção em madeira no Brasil, a empresa está trazendo ao país o cross-laminated timber (CLT) – um elemento que reúne os benefícios de ser sustentável do ponto de vista ambiental e de ser estruturalmente eficiente para edificações “A utilização da madeira permite a industrialização da construção – o que possibilita obras mais rápidas e mais baratas, com menos desperdício de materiais. Esse é o nosso propósito: unir sustentabilidade à tecnologia de industrialização”, afirmou.

O CEO da Noah salientou, contudo, que a utilização de madeira deve seguir padrões de uso profissional de extração nas florestas – a exemplo do que é feito no Canadá. “Lá, 20% das florestas são destinadas ao uso industrial, mas com remanejamento das árvores – de forma similar ao que a indústria de papel e celulose faz aqui no Brasil. No Canadá isso é feito há 15 anos, e o tamanho das florestas aumentou por conta dessa atuação profissional.”

Capacitação para o amanhã

Presente no segmento de obras de engenharia, construção, manutenção industrial e serviços, a Teckma Engenharia já mantém relacionamentos com empresas canadenses de tecnologia. De acordo com seu diretor Guerretta, a empresa já está adaptando às necessidades do mercado brasileiro inovações envolvendo pré-fabricação e realidade aumentada. “Há muito espaço para aumentar a participação da tecnologia na construção industrial – e, dessa forma, elevar o nível de produtividade”, disse.

Na avaliação de Guerretta, o setor de construção no Brasil ainda é muito conservador, e não vê a necessidade de inovar. Essa “zona de conforto” emperra o processo de qualificação da mão de obra, um aspecto-chave para a introdução de novas tecnologias e aumento da produtividade do setor.

“A tecnologia é um meio, não um fim. O fim é gerar valor por meio da utilização da tecnologia. Conforme são resolvidas as questões tecnológicas e de processos, podemos qualificar e gera valor. E essa geração de valor é distribuída dentro de toda a cadeia produtiva. Nos projetos que fizemos, conseguimos triplicar nossa produtividade – qualificando as pessoas e aplicando tecnologia”, afirmou.

Problemas estruturais

Reunindo outras entidades do setor de construção civil, a CBIC tem acompanhado bastante de perto as discussões sobre a retomada da economia brasileira. Martins, presidente da entidade, considera que a as oportunidades de intercâmbio comercial com o setor de construção civil do Canadá são imensas. “Agora, mais do que nunca, o mundo se transforma de forma muito rápida – e ninguém pode ficar preso dentro de uma cápsula!”, afirmou.

O presidente do CBIC mencionou como principais desafios a elevada carga tributária que incide sobre o setor e o alto nível de informalidade da mão de obra empregada na construção civil no país. Mas também apontou que o grande déficit habitacional do Brasil constitui uma das oportunidades para expansão do setor. “Temos de adequar nossos produtos à capacidade de pagamento das pessoas – e a tecnologia é a chave para isso, assim como a industrialização do setor. A construção deveria funcionar como uma grande montadora, com vários fornecedores, que forneceriam kits para serem montados. Isso melhoraria a produtividade e a qualidade, e reduziria os custos”, ponderou.

Para isso, prosseguiu, o intercâmbio entre Brasil e Canadá, com a introdução de soluções inovadoras, oferece a oportunidade de superar os desafios do setor.  “Tenho certeza de que muita da tecnologia utilizada pelo setor no Canadá pode ser aplicada aqui no Brasil.”

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