Para não perder dinheiro: financiamentos e seguros sob medida

Mecanismos específicos para antecipar recebíveis, se capitalizar ou proteger de sinistros facilitam a vida financeira dos exportadores

Por Sérgio Siscaro

A falta de acesso a linhas de crédito é uma reclamação comum dos empreendedores brasileiros, em especial os de menor porte. Mas, no caso dos exportadores, a exemplo do que ocorre nas isenções tributárias, existem mecanismos específicos para ajudar a viabilizar financeiramente os negócios. As modalidades são várias e devem ser estudadas com cuidado para a escolha da mais adequada a cada caso. Da mesma forma, é importante pensar em ferramentas de garantia contra prejuízos nas cargas, com seguros internacionais.

Opções de Financiamentos

Os exportadores podem ter acesso a mecanismos que antecipam os recebimentos e, dessa forma, atendem às necessidades de capital de giro para financiar as operações. As duas modalidades mais utilizadas são o Adiantamento sobre Contrato de Câmbio (ACC), que permite o recebimento prévio, em moeda nacional, dos valores correspondentes a uma exportação que ainda será realizada; e o Adiantamento sobre Cambiais Entregues (ACE), por meio do qual o adiantamento é efetuado após o embarque da mercadoria. Há ainda o Forfaiting, no qual o exportador concede prazos e condições de financiamento a seus compradores internacionais por meio da aquisição de recebíveis a prazo.

“Como muitas vezes pequenas e médias empresas não atendem aos requisitos dos bancos para obter crédito, elas acabam se voltando ao câmbio pronto”, afirma a gerente de Relacionamento da Advanced Corretora de Câmbio, Jéssica Cavasotto. Ela se refere à contratação de compra ou venda de moeda estrangeira para liquidação em até dois dias – o que permite à empresa ter acesso a recursos para pagar suas obrigações fora do país ou receber os pagamentos dos compradores de suas mercadorias a partir do exterior. “As empresas podem efetuar um fechamento [de câmbio] antecipado, com pagamento à vista ou com pagamento a prazo. A modalidade escolhida definirá o momento em que ocorrerá o recebimento do dinheiro do importador”, explica.

O exportador deve estar atento ainda ao fato de que cada uma dessas modalidades demanda tipos de documentos específicos. Para o fechamento antecipado, basta apresentar a Fatura Proforma, que é formalização do pedido de compra do importador. Para operações à vista, são necessárias a fatura comercial (ou comercial invoice), contendo todas as informações declaradas na Fatura Proforma e outras que confirmem a realização da exportação, e o Bill of Lading (B/L), ou conhecimento de embarque.

Já nos casos com pagamento a prazo, exigem-se tanto a fatura comercial quanto a Declaração Única de Exportação (DU-E), que é o documento completo da operação. “Os exportadores iniciantes podem se assustar a princípio, mas não é nada complicado. Apenas demanda um pouco de planejamento, a fim de que seja realizado o cadastro de câmbio antecipadamente, para evitar sobressaltos”, afirma Cavasotto.

 Além dessas opções, a empresa também pode ter acesso à linha de financiamento BNDES-Exim, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), disponível em modalidades pré e pós-embarque. Há ainda o Programa de Financiamento às Exportações (Proex), operado pelo Banco do Brasil, e o Proger Exportação, destinado a financiar atividades de promoção da exportação para empresas de pequeno porte, cooperativas e associações de produção.

Possibilidades de seguros

Outro fator bastante importante para o exportador é o seguro internacional, que cobre acidentes durante o processo – da saída do país à chegada ao destino. No caso de ocorrência de algum sinistro, como danos ou perda de mercadorias, o exportador é indenizado pela seguradora. As condições em que se dará essa cobertura são previamente definidas em contrato. Para obter uma apólice, é necessário informar a seguradora sobre a natureza da mercadoria (denominação comercial e técnica, peso bruto e líquido, número de volumes, tipo de embalagem no qual será acondicionado), seu valor, os pontos de embarque e desembarque, riscos que deverão ser cobertos e tipo de transporte utilizado, entre outros.

O seguro pode ser feito de duas formas, decorrentes do tipo de frete escolhido pelo exportador. Na modalidade Free on Board (FOB), o seguro é de responsabilidade do comprador, e ao exportador cabe apenas dar as informações necessárias para contratar o seguro. Caso o frete seja efetuado como Cost, Insurance and Freight (CIF) ou Carriage and Insurance Paid (CIP), os custos com a contratação de uma apólice competem ao exportador. Por esta razão é importante ter bem claro o tipo de frete que será utilizado, a fim de se planejar com relação a eventuais custos com o seguro das mercadorias.

A apólice pode cobrir apenas uma operação de exportação específica – o que é mais conveniente para empresas que acessam o mercado externo de forma esporádica. Alternativamente, a seguradora pode emitir uma série de apólices, com validade de 12 meses, valor de cobertura com teto máximo e franquia fixa, ou cobrir embarques regulares, com características conhecidas.

Conheça os erros financeiros mais comuns nas operações de exportação:

  • Considerar que os pagamentos podem ser realizados por meio da rede bancária normal, e desconsiderar a necessidade de dispor de documentos específicos para operações de comércio exterior;
  • Não dispor de um departamento específico para tratar das operações cambiais, ou de uma corretora para realizar essa assessoria;
  • Não buscar informações sobre os canais de financiamento às exportações;
  • Desconhecer qual é o tipo de cobertura de seguro mais adequada para a operação de exportação;
  • Desconsiderar a necessidade de fazer hedge cambial para se proteger das flutuações na cotação das moedas.

 

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