Benefícios da cannabis medicinal

Benefícios da cannabis medicinal
Polêmicos no país, remédios à base da planta aliviam sintomas de doenças graves

 

O consumo de cannabis – termo científico para maconha – figura na #toplist das polêmicas em qualquer país do mundo. Mas, antes de ser controversa, a planta é componente-chave de medicamentos essenciais ao alívio dos sintomas de doenças graves. Considerando que venda, distribuição e cultivo de cannabis são proibidos no Brasil, a principal forma de obter esses produtos é importá-los sob autorização da Anvisa, que até hoje concedeu mais de seis mil permissões.

 

A concessão é feita apenas a pessoas físicas que comprovem a necessidade por meio de receita médica e se comprometam a não vender, nem doar os medicamentos. Um dos maiores transtornos dos pacientes é a espera pela chegada dos produtos a território nacional, que em algumas situações pode durar um mês e meio, prejudicando tratamentos para casos severos de epilepsia, por exemplo, que causam dezenas de convulsões.

 

O documentário “Ilegal – A vida não espera” (2014) mostra a história de uma criança de seis anos que se beneficia dos medicamentos à base de cannabis. Sua família depende diretamente deles para reduzir as cerca de 80 crises convulsivas que a criança tinha por semana. Um estudo publicado no New England Journal of Medicine observou uma redução de 50% das convulsões em crianças com síndrome de Dravet, um tipo de epilepsia. Há pesquisas que falam em reduções superiores a 80%.

 

Os efeitos positivos constatados em condições como autismo, dores crônicas, esquizofrenia, esclerose múltipla, mal de Parkinson e falta de apetite pós-quimioterapia têm recebido atenção. O Senado brasileiro vem realizando debates sobre a liberação da cannabis e o ponto de concordância tem sido exatamente os objetivos terapêuticos.

 

Num primeiro passo, a regulamentação da droga para esse fim poderia facilitar a importação dos medicamentos ou até permitir a estocagem dos produtos no país, reduzindo a espera dos pacientes e os custos, mesmo que não autorize o cultivo. O Canabidiol (CBD) é um dos princípios ativos da cannabis mais bem vistos para a regulamentação, pois, diferente do Tetrahidrocanabinol (THC), não possui ação psicotrópica. Ambos entram na composição de remédios.

 

Cannabis medicinal: empresas acompanham mercado brasileiro

 

O governo canadense anunciou para outubro e legalização da cannabis para fins recreativos, mas já permitia seu uso medicinal desde 2001. O país tem uma das legislações mais avançadas do mundo sobre o tema e é lá que estão sediadas duas empresas do setor que acompanham de perto as movimentações no Brasil.

“Na CCBC, a gente tem acesso a informações importantes e participa do Comitê de Inovação na Saúde, conversando com diversos players do mercado para discutir a melhor forma de se comunicar com as agências reguladoras no Brasil e no Canadá”, diz Thiago Callado, diretor-executivo da XLR8 Brazil, associada da Câmara que dá suporte ao desenvolvimento de novos negócios da Medreleaf e assessorou a primeira exportação de óleo de Cannabis pela empresa no Canadá – produto esse com destino ao Brasil. Após a conclusão da operação, as ações da companhia de cannabis medicinal valorizaram 20%.

 

A Medreleaf faz parte do grupo global Aurora desde julho de 2018 e está sediada na província de Ontario. No site no Canadá, comercializa medicamentos à base de cannabis nos formatos óleo, cápsula e erva seca – apenas os dois primeiros têm entrada autorizada pela Anvisa no Brasil. Os preços variam entre US$ 6,50/g até US$ 150 o frasco de 40 ml de óleo.

 

A TGOD se associou recentemente à CCBC. Não realiza venda de remédios, mas desenvolve pesquisas com cannabis, cultiva, distribui e comercializa a planta para diversos tipos de indústria. “Somos um dos dois produtores licenciados do Canadá com o certificado orgânico. Nossa produção cresce sem a ação de fertilizantes sintéticos, herbicidas ou pesticidas, o que significa um produto de maior qualidade ”, diz Andre Pollock, vice-presidente de Marketing da empresa.

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