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Conheça as opções que universidades canadenses estão oferecendo para apoiar novos alunos em meio às restrições impostas pela COVID-19

Por Estela Cangerana

Havia ficado para 2021 o projeto de muitos brasileiros de retomada ou mesmo de início dos estudos no Canadá, vários deles postergados de 2020 por conta da pandemia do novo coronavírus. Mas o ano começou com muitas dúvidas e sem grandes avanços no combate e vacinação contra o vírus. A boa notícia, no entanto, é que as universidades e empresas especializadas se prepararam para esse cenário de incertezas e os interessados hoje encontram boas opções para tirar os planos da gaveta.

Todo o processo de migração e adaptação para o ensino virtual foi feito no ano passado e os preparativos para a transição de volta, em um novo modelo no pós pandemia, estão avançados. Isso porque várias delas haviam se programado para esse retorno no início de 2021. Ele não aconteceu ainda, mas, como poderá vir nos próximos meses, os cursos iniciados este ano estão montados de maneira híbrida, permitindo que o aluno que pretenda ir assim que a pandemia arrefecer possa começar a estudar já.

Há ótimas opções por todo o país. Em Quebec, na região leste do Canadá, a Universitè de Montréal (UdeM), que oferece graduação e pós-graduação em diversas áreas, está fazendo todo o processo de admissão de novos alunos virtualmente. Os cursos iniciados recentemente e os anteriores continuam quase que em sua totalidade em atividade remota, com conteúdos síncronos e assíncronos. A exceção é apenas para as aulas que devem, necessariamente, acontecer em laboratórios.

“A pandemia, com a falta de contato com os alunos, nos trouxe um cenário bastante desafiador. Mas a universidade avançou ainda mais e foi criativa para criar nos meios remotos as condições para suprir a falta presencial, mantendo engajamento e a mesma qualidade do ensino”, comenta a embaixadora da UdeM no Brasil, Carine Berteli Cardoso.

Várias novidades foram implementadas, como o lançamento, no ano passado, da versão online de um curso intensivo de francês para atingir o nível exigido para acompanhar as aulas da universidade, voltado aos novos alunos.

Para as próximas turmas tanto de graduação quanto pós, que começam em setembro, as condições para aulas presenciais ainda serão avaliadas. Independente disso, quando o cenário permitir, todos poderão fazer a migração para o presencial. “Nós sabemos da importância da experiência presencial, especialmente para os alunos internacionais. É um planejamento que vale a pena porque, de fato, enriquece a formação com um todo”, afirma a embaixadora. Dos mais de 67 mil alunos da universidade, 10 mil vieram de outros países.

Apoio completo

Na costa oeste, em Vancouver (Colúmbia Britânica), a University Canada West (UCW) elaborou um plano detalhado de segurança para o momento atual e o pós, que contempla os possíveis cenários e suas contingências. Também tem sido disponibilizado ao aluno orientações de como proceder para não ter seus planos prejudicados.

A universidade ainda criou um email específico para tirar dúvidas sobre as exigências do Canadá para a entrada de pessoas e da quarentena no país. “Como 90% de nossos alunos são internacionais, buscamos oferecer da maneira mais fácil e acessível possível as informações completas para apoiá-los neste momento”, explica a business developer da UCW no Brasil, Luciana Duarte.

Por enquanto as aulas estão acontecendo de maneira totalmente remota, mesclando conteúdo ao vivo e gravado, de forma a viabilizar a audiência dos alunos ainda que estejam em fusos horários distintos. A situação deve permanecer assim até abril, quando o cenário da pandemia será reavaliado.

Quando a volta ao presencial for permitida, quem começou virtual poderá migrar e, conforme esclarece Luciana, pelas regras atuais, ainda que o curso de graduação ou pós tenha sido feito até 50% do período no virtual, o aluno ainda poderá ter direito a pedir a permissão de trabalho no Canadá.

A UCW é uma universidade de artes e humanidades, com cursos de graduação e pós voltados a negócios e tecnologia. A instituição trabalha com quatro intakes ao ano (janeiro, abril, julho e outubro) e está com inscrições abertas para as turmas de julho e outubro de 2021. Caso o aluno faça a matrícula para algum desses cursos presenciais e não obtenha o visto a tempo, ou tenha qualquer outro problema que o impeça de viajar, a universidade está permitindo o adiamento gratuito para um novo intake por uma vez.

Cuidados para não errar

A possibilidade de fazer essa mudança é um fator importante, de acordo com os especialistas. Isso porque ainda é necessário ter cuidados extras e fazer um planejamento detalhado para contornar os obstáculos que permanecem, como o prazo mais longo para a concessão de vistos para estudantes.

“No começo da pandemia, os consulados pararam e alguns ficaram remotos. O Consulado Geral do Canadá em São Paulo está operando, mas ainda com capacidade reduzida, voltado a prioridades. Os processos de vistos e imigração de fato têm demorado além do normal”, afirma a consultora de imigração da empresa Canadá com Você, Marina Snyder, ao comentar a espera por essas autorizações, que pode levar meses.

Segundo ela, alguns processos foram remanejados para consulados canadenses em outros países para minimizar a espera, mas problemas com o idioma (com documentações entregues em português) acabaram prejudicando o trabalho. “Quem tem planos para 2021 deve ter em mente que precisa ter flexibilidade. É preciso considerar que o governo continua com suas metas de imigração, as fronteiras continuam fechadas, mas há a lista de isenções de entrada, que inclui estudantes de escolas com planos de quarentena”, diz, lembrando que o Canadá exige exame de Covid-19 e plano de quarentena para todos que chegam ao país.

Marina Snyder participou recentemente do webinar Perspectivas Canadenses para 2021: imigração, educação, emprego e economia, organizado pela Canadá com Você, com apoio da CCBC. Saiba mais sobre esses temas assistindo o webinar em https://www.youtube.com/watch?v=09_fH24ibDM

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