Missão além do lucro

Grupos empresariais responsáveis por 45% do PIB brasileiro defendem crescimento sustentável

 

por Andréa Ciaffone

Cuidar do planeta é o melhor negócio, e é justo pensar que cada vez mais empresas sabem disso. Marina Grossi, presidente do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), é uma das vozes

Ao fim de uma conversa com Bruno Imbrizi fica a sensação de que ninguém pode estar no mundo somente a passeio. Para o criador da marca Chico Rei, camiseta é negócio — e bandeira. A saga do príncipe do Congo que, trazido ao Brasil como escravo, lutou para alforriar a si mesmo e a outros negros serviram de inspiração para o nome e o espírito da confecção. “Ter lucro, só, não faz sentido. Tem de ter algo maior”, anuncia.

Vendidas exclusivamente na internet, suas coleções são um balaio pop de brasilidade com causa, mesclando criações próprias com estampas de artistas convidados. Desde 2017, a parceria distribuiu, por meio de royalties, cerca de R$ 800 mil a ilustradores independentes, por meio de uma linha de estampas autorais.

Nas coleções em parceria com organizações sociais e artistas brasileiros, o percentual revertido para cada um varia caso a caso. Tudo o que é vendido com estampas da S.O.S Mata Atlântica, por exemplo, vai diretamente para a fundação de preservação da fauna e da flora de um dos principais biomas do país. “Já o Zeca Pagodinho tem o instituto dele, então o percentual da venda de camisetas dele vai para isso”, explica Imbrizi sobre o funcionamento da linha dedicada ao sambista.

Em 2019, a Chico Rei lançou o selo Camisetas Mudam o Mundo, sendo parte do lucro destinada a projetos criados pela empresa. A iniciativa não se limitou ao slogan. “Não é ‘toma meu dinheiro e faz aí’, não é delegar nem terceirizar. Não, eu sou parte disso.”

A missão de transformar a realidade das pessoas começou já em Juiz de Fora, município de Minas Gerais onde a marca nasceu. A reforma de uma escola vizinha da empresa teve a colaboração de parceiros, voluntários e funcionários. “Todo o time Chico Rei meteu a mão na massa, para ser parte do processo de mudança”, lembra Imbrizi.

Os artistas Alceu Valença e Lenine usando camisetas com seus versos; a unidade de produção dentro da penitenciária

Chuveiros, pintura nova e melhoria no sistema de ventilação também foram alterações promovidas na penitenciária local pela empresa, numa ala onde hoje funciona uma unidade fabril da confecção. Cerca de 30 detentos são assalariados e têm pena reduzida em um dia a cada três que trabalham. O objetivo é proporcionar a ressocialização com dignidade. “Ensinamos a produzir, mas também oferecemos espaço de diálogo. Passamos filmes para eles saírem um pouco do universo violento da cadeia.” Rio de Janeiro e Bahia estudam adotar o modelo prisional
de Juiz de Fora e já recorreram ao
know-how de Imbrizi para isso.

Bruno Imbrizi, criador da marca Chico Rei

 

Com faturamento de R$ 20 milhões no ano passado e média de cem lançamentos por mês, a Chico Rei trouxe ao mercado, no início de 2021, uma parceria com a EducaTRANSforma para produzir camisetas que promovem capacitação e inclusão de pessoas transgênero no mercado de tecnologia da informação. As camisetas utilizam fibra de algodão sustentável 100% natural e são tingidas seguindo as melhores práticas ambientais — outra preocupação da marca.

“Acompanhamos o crescimento no Canadá, vimos que é uma economia alicerçada num ciclo produtivo consciente e sustentável”

Rumo ao Canadá

Em maio, a empresa espera levar ao ar o site de venda direta nos Estados Unidos. No mapa de expansão está também o Canadá. Há negociações com empresas B2B que possam redistribuir os produtos no país. “Queremos usar uma estrutura de produção responsável, em que a gente possa produzir private label, mas também lançar algo nosso”, explica Imbrizi, que espera desembarcar com sua marca em Toronto já no segundo semestre de 2021. “Nos últimos anos, acompanhamos o crescimento no Canadá, vimos que é uma economia alicerçada num ciclo produtivo consciente e sustentável”, observa. Ele vê traços do DNA da Chico Rei na cultura canadense, o que deve facilitar
a parceria. “Buscaremos colaborações entre artistas do Brasil e do Canadá e pensamos em apresentar novos talentos; vamos fazer das estampas uma forma de expressão e ferramenta de fala”, projeta. Chegou a hora de a Chico Rei ganhar o mundo na intenção de mudá-lo.

Educação e tecnologia

Projeto busca democratizar o acesso à literatura por meio de audiobooks

A revolução dos bichos é o livro de cabeceira do humorista Fabio Porchat, que agora dá voz ao clássico de George Orwell no lançamento do Clube Digital de Leitura. O projeto, criado pelo braço social da Tocalivros, plataforma brasileira de audiolivros, dá acesso gratuito aos títulos para usuários do metrô de São Paulo, professores e alunos de escolas públicas e pacientes em tratamento no Hospital das Clínicas, entre outras instituições.

O produtor Marcelo Azevedo, da Tocalivros e o humorista Fábio Porchat gravando A revolução dos bichos, de George Orwell

“O Fabio Porchat não é somente um influenciador ou celebridade. Ele é um gestor de conhecimento com grande sabedoria individual como leitor e formador de opinião”, afirma Clayton Heringer, produtor artístico da plataforma de audiolivros. “Assim como a Tocalivros Social, ele é um propulsor da formação do ser crítico e da intelectualidade por meio do conhecimento adquirido pelo audiolivro. Nada melhor do que unir o Fabio Porchat a essa proposta de democratizar a leitura para todos os públicos.” Embaixador do projeto, o humorista é também um dos narradores de outro audiolivro gratuito: O pequeno príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry.

No Brasil, cada pessoa lê em média 2,5 livros por ano, segundo a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, do Instituto Pró-Livro. O estudo aponta que 82% dos entrevistados gostariam de ler mais, enquanto 47% afirmam não ter tempo para praticar esse hábito. “Existe outra parte que não tem condições financeiras para comprar um livro, além de pessoas com algum tipo de deficiência visual ou dislexia”, lembra Marcelo Azevedo, cofundador da Tocalivros Social.

“O Clube Digital de Leitura nasceu com o propósito de democratizar, dar acesso à leitura e proporcionar o prazer de ler. Cidadãos mais conscientes têm a capacidade intelectual de compreender diversas formas de se expressar e de transformar o mundo. Sabemos que a leitura é um fator primordial para a construção dessa capacidade intelectual”, afirma Azevedo.

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