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Negócios

Tráfego intenso

Acordo aéreo entre o Brasil e o Canadá elimina barreiras no setor de turismo e estimula investimentos de empresas dos dois países em produtos específicos e estratégias conjuntas

Paula Monteiro

O Brasil e o Canadá eliminaram os limites para voos semanais entre os dois países por meio da assinatura do acordo de “céus abertos”, em agosto passado, durante a visita oficial do primeiro-ministro canadense, Stephen Harper, a Brasília (DF). Essa era uma antiga demanda de empresas de turismo, beneficiadas, de um lado, pelo aumento das vendas de pacotes e limitadas, de outro, pela escassez de rotas. Mais intenso nos últimos anos, o fluxo bilateral de negócios no setor é estimulado por condições favoráveis a investimentos e a novas parcerias.

Um dado que sinaliza o crescimento do número de brasileiros que escolhem o Canadá como destino de viagem é a ocupação de 91,4% dos aviões da Air Canada. A taxa, registrada em junho passado, supera com folga a média global da companhia no mesmo período (84,2%). “A previsão é de alta de 10% do volume de passageiros e de 5% do faturamento no fim da baixa estação, que coincide com o inverno canadense”, afirma Gleyson Ranieri, diretor comercial da filial brasileira. A expectativa se baseia no resultado alcançado em 2010, quando a ocupação média na rota Brasil-Canadá foi de 80%.

“Isso representou um acréscimo de 22% de clientes e de 24% do faturamento em relação a 2009”, compara. O executivo explica que Toronto (Ontário), Vancouver (British Columbia), Montreal (Quebec) e Calgary (Alberta) foram os destinos mais procurados. “O turismo de lazer e o intercâmbio estudantil têm aumentado muito. Atualmente, no entanto, o destaque são as passagens que as empresas dão para premiar funcionários ou incentivar equipes. Esse segmento deve dobrar de tamanho até o final do ano”, prevê.

Os resultados seguem tendência de alta em virtude do desempenho da economia brasileira, associado às possibilidades da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016. O aquecimento dos últimos anos estimula tanto os gastos de famílias no exterior quanto a recepção de mais es­tran­­gei­ros, atraídos por oportunidades de negócios e pela projeção internacional do Brasil. “Internamente, a demanda das classes C e D é um dos principais motivos da expansão do setor”, considera Leonel Rossi Júnior, diretor de Assuntos Internacionais da Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav). Além disso, ele destaca a desvalorização do dólar frente ao real, as opções de pagamento parcelado, a concorrência entre as companhias aéreas – que agora operam com liberdade tarifária – e a relativa estabilidade do mercado de trabalho.

Estratégias renovadas – “O Canadá foi o oitavo país mais procurado nas nossas agências no ano passado”, conta Jaime Abraços, diretor comercial da Marsans Brasil. Segundo ele, foram comercializados 168 pacotes para Vancouver, Toronto, Montreal, Cidade do Quebec (Quebec), Calgary, Jasper (Alberta) e Victoria (British Columbia) no período – uma alta de 52% em comparação a 2009. Com esse interesse inesperado – e crescente –, a companhia traça novas estratégias. “Pretendemos nos fortalecer em ecoturismo, passeios em estações de esqui e viagens de trem, promovidas como experiências diferenciadas”, complementa.

Já na TGK Tour Operator, as estimativas são de vendas até 40% superiores em 2011 – somente entre janeiro e julho, a empresa atingiu resultados semelhantes aos do acumulado nos 12 meses anteriores. “O Canadá ocupa a quinta posição no nosso ranking de produtos vendidos, atrás apenas de Chile, Argentina, Peru e África do Sul”, afirma o diretor André Luiz Sales Pereira, ao esclarecer que as preferências variam do inverno para o verão, exigindo a renovação constante de produtos oferecidos. “Até o momento, os pacotes preferidos são para as Montanhas Rochosas e regiões da Costa Oeste por causa das férias de julho”, diz.

Outros segmentos também aproveitam o fluxo turístico mais intenso. A MasterCard enxergou uma oportunidade com o lançamento, em parceria com a Travelex, de um cartão de viagem pré-pago e recarregável, válido para compras e saques em 200 países – a modalidade ganhou destaque como alternativa ao recente incremento da alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que passou de 2,38% para 6,38%. Segundo o presidente da companhia no Brasil, Gilberto Caldart, o objetivo é oferecer novas opções ao consumidor. “O produto é o primeiro de uma série de lançamentos que estamos preparando no segmento de pré-pagos”, adianta o executivo.

Por sua vez, a Travelport – especializada em soluções para o processamento de transações de companhias aéreas – fechou um acordo com a Air Canada para que as agências de viagens tenham acesso, tanto online quanto offline, às tarifas, disponibilidade de assentos, faixas de preço e serviços opcionais oferecidos pela companhia aérea. “A parceria oferece ainda a possibilidade de reserva de lugares e refeições pré-pagas, assim como o acesso aos espaços exclusivos Maple Leaf Lounge, disponíveis em diversos aeroportos”, enumera Antonio Loureiro, diretor da Travelport para o Brasil, Portugal e Espanha.

A movimentação no setor é notada também pela Comissão Canadense de Turismo (CTC, na sigla em inglês), que, em 2010, investiu 1,5 milhão de dólares canadenses para promover o Canadá. “As campanhas para consolidar os pontos turísticos consagrados e apresentar outros menos conhecidos serviram de estímulo para que, no ano passado, mais de 80 mil brasileiros visitassem o Canadá. Foi um crescimento de 30% em relação ao ano anterior”, compara Sheila Nassar, representante do órgão no Brasil.

atendimento especializado – O desembarque de mais canadenses em aeroportos nacionais também é um fato. No total, foram registradas 64,1 mil chegadas durante 2010, o que supera os 63,2 mil visitantes de 2009, de acordo com o Anuário Estatístico de Turismo 2011, do Ministério de Turismo (MTUR). “São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Bahia, Amazonas e Pernambuco foram mais procurados”, afirma Flavio Dino de Castro e Costa, presidente do Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur). Dessa lista, São Paulo – que recebeu cerca de 42 mil canadenses – continua sendo a principal porta de entrada para outras regiões.

Com mais turistas solicitando reservas, as grandes redes hoteleiras dão prioridade à diferenciação, personalização de serviços e qualificação profissional. “Temos colaboradores poliglotas, capazes de se comunicar mesmo em idiomas incomuns, como o mandarim. Além disso, tentamos nos adaptar ao estilo de vida do visitante, minimizando o impacto cultural. No café da manhã, por exemplo, oferecemos aos clientes canadenses o xarope de maple, normalmente combinado com waffles”, conta Mariangela Klein, diretora de Marketing e Comunicação do Sofitel na América do Sul.

Na rede Hyatt, a capacitação compensa a falta de profissionais preparados. “A escassez de mão de obra qualificada está vinculada a uma recente profissionalização do setor, pois a carreira de administrador hoteleiro é nova”, avalia Miguel Angel Bermejo, diretor de Recursos Humanos para a América Latina. “Hoteleiros não se formam somente na faculdade. Tentamos atrair e treinar quem possa colaborar para que o Brasil, por meio do atendimento especializado e de serviços de qualidade, consolide-se como uma potência turística”, conclui.

Evolução do setor
A expansão do turismo nacional e o interesse de mais canadenses pelo Brasil podem ser notados por meio de dados recentes:
Chegada de TURISTAS canadenses
Fonte: Embratur

Plano de viagem
66,2% dos brasileiros pretendem viajar pelo país nos próximos seis meses
87,2% devem viajar acompanhados
30% dizem querer viajar para o exterior
no mesmo período
Desembarques internacionais no Brasil (julho de 2011)
855.739  (+14,68%)
chegadas
Fonte: Sondagem do Consumidor – Intenção de Viagem (FGV)

Campanhas de divulgação
Maior divulgação do Brasil no Canadá. Esse, segundo Siobhan Chretien, diretora de Mercados Emergentes das Américas e Ásia da Comissão Canadense de Turismo (CTC, na sigla em inglês), é um dos maiores desafios para que mais turistas canadenses viajem a destinos brasileiros. Principal representante da CTC durante o Showcase Canadá-Brasil (realizado em 31 de agosto e 1º de setembro, em São Paulo) Siobhan diz notar mais notícias sobre o Brasil em seu país, mas não campanhas publicitárias de estímulo ao turismo. “Com o acordo bilateral de céus abertos, os brasileiros poderão aproveitar ainda mais oportunidades para conhecerem o Canadá”, avalia. Para os operadores do setor, essa também é expectativa predominante. “Em 2010, recebemos mais de 80 mil turistas do Brasil. Não tenho dúvida de que esse número dobrará nos próximos cinco anos”, estima Dayna Miller, representante da Tourism Vancouver.

Desvalorização do dólar e compras parceladas favorecem a expansão do setor

Redes hoteleiras dão prioridade à diferenciação e personalização de serviços


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