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Turismo

Guardiões da história

Fortes e fortalezas retratam o período de batalhas, o início da colonização europeia e da construção de várias cidades canadenses, atraindo turistas interessados em roteiros culturais, promovidos em meio às belas paisagens do país.

Leandro Rodriguez

Em 1758, os ingleses pegaram em armas pela segunda vez em pouco mais de uma década para reconquistar a cidade francesa de Louisbourg, então capital de Île Royale, na Cape Breton Island (Nova Scotia), um dos portos mais movimentados da América do Norte na época. Dispostos a reverter os efeitos do Tratado de Aix-la-Chapelle (1748), que restituiu à França o domínio da região, reuniram 13,1 mil homens em terra e 14 mil no mar, a bordo de 150 navios. A vantagem numérica era necessária, uma vez que Louisbourg havia sido construída como uma fortaleza protegida por muralhas resistentes.

A região prosperou até se transformar em um centro exportador de bacalhau e importador de bens manufaturados do Quebec, da França, das Antilhas e da Nova Inglaterra, despertando interesse por suas vantagens estratégicas. Após sete semanas de batalha, os defensores se renderam. Novamente no comando, as autoridades britânicas destruiram a fortificação para evitar uma eventual reocupação francesa.

A história da Fortaleza de Louisbourg, no entanto, resistiu ao tempo. Além dos relatos históricos, passados de geração para geração, as ruínas ajudaram os especialistas. Em 1961, o Governo do Canadá deu início a um projeto de US$ 25 milhões para tentar reconstruir aproximadamente um quarto da cidade e da fortificação anteriores ao primeiro ataque inglês, em 1745. A iniciativa gerou um rico arquivo histórico e arqueológico, além de se transformar em atração turística.

Os fortes e as fortalezas são um patrimônio cultural e arquitetônico no Canadá. Fundamentais no passado para a formação do país, os locais funcionam atualmente como áreas de lazer ao ar livre, museus, centros históricos e cenários, onde atores reproduzem a vida cotidiana dos colonizadores europeus. Para os turistas, estes locais são uma opção adicional de roteiro de viagem, já que várias províncias têm instalações abertas ao público, que promovem inúmeras atividades tanto para os adultos quanto para as crianças.

Nova Scotia, por exemplo, recebe muitos visitantes em Annapolis Royal – capital da província de 1710 a 1749, ano de fundação de Halifax –, atraí­dos pelo Fort Anne, o mais antigo do país, construído pelo exército britânico para defender a cidade de possíveis ataques. Atualmente, a visita às acomodações dos oficiais se destaca entre as atividades, que incluem ainda um jogo de procura de objetos, partidas de críquete – esporte tradicional da era Vitoriana – e uma caminhada de cerca de 500 metros pelas laterais dos muros de proteção, que formam uma estrela. À noite – e à luz de velas –, é possível conhecer o antigo cemitério e obter informações sobre os costumes e as tradições dos primeiros moradores locais.

Após a fundação de Halifax, foi necessário construir também o Fort Edward (1750) para dar segurança aos comerciantes e viajantes, que utilizavam a rota de ligação entre a nova capital e Annapolis Royal. A palafita construída para os oficiais é a mais antiga do Canadá, além de ser um patrimônio histórico da região. Esse equipamento militar foi um ponto de vigilância durante a Revolução Americana, quando passou por reformas e recebeu provisões. Na Primeira Guerra Mundial, serviu de base de espera para os militares de Annapolis Royal, que foram convocados para lutar em campos de batalha no exterior.

Já a Halifax Citadel, fundada em 1749, é considerada símbolo da importância da capital da Nova Scotia como principal base para a marinha do antigo Império Britânico, assim como da transformação e da evolução do Canadá de colônia para nação. Concluída em 1856, a estrutura atual é a quarta de uma série de fortalezas erguidas para ocupar a colina com vistas privilegiadas do porto. O desenvolvimento contínuo dos armamentos de guerra quase a deixou obsoleta, mas a adaptação de seus sistemas de defesa deu maior alcance e pontaria aos disparos de longa distância. Principalmente por isso, foram montadas tendas e baterias antiaéreas durante a Segunda Guerra Mundial – dizia-se que a base era a última visão no Canadá dos soldados, que partiam para a linha de frente, e a primeira daqueles que retornavam.

No Quebec, a imponente fortaleza La Citadelle, construída inicialmente pelos franceses em 1750 e concluída pelos ingleses em 1831, é a maior fortificação na América do Norte ainda ocupada por tropas regulares. Localizado na parte alta da cidade, o lugar é residência oficial da Governadora Geral do Canadá, Michaëlle Jean, La Citadelle abriga o regimento de infantaria franco-canadense, o Royal 22e Régiment, também conhecido como Van Doos, respeitado internacionalmente por suas conquistas nas duas guerras mundiais.

Mostras de artefatos, utensílios, entre outros objetos de batalha compõem o acervo cultural dos fortes canadenses

Com visitação aberta e amplos gramados, a área militar reúne diversos pontos de interesse, como a mansão ocupada pela Governadora Geral e o Cape Diamond Redoubt – o edifício mais antigo da cidadela –, que oferece visão privilegiada para o rio São Lourenço. Uma das atrações mais aguardadas por turistas, no entanto, é a troca da guarda (de 24 de junho à primeira segunda-feira de setembro), na Parade Square. Com cerca de 45 minutos de duração, a cerimônia, inspirada na troca da Guarda Real inglesa e executada desde 1928, encanta o público pela sofisticação das vestimentas em estilo inglês, a coreografia precisa dos movimentos e a apresentação da banda do regimento.

O museu de La Citadelle reúne uma das mais completas coleções de artigos militares do país, formada por medalhas, uniformes e armamentos, entre outros itens. Além do acervo histórico, a organização realiza visitas guiadas, promove atividades e oferece diferentes serviços. As exibições temáticas complementam as opções do visitante, que pode conhecer alguns dos acontecimentos importantes da região, as batalhas mais emblemáticas e a história da fortaleza ao longo dos anos.

É sob o solo, porém, que a Cidade do Quebec preserva artefatos de uma de suas mais importantes ferramentas de guerra. Próximo ao Hôtel Château Frontenac – uma das arquiteturas mais conhecidas da província –, pesquisadores encontraram restos dos fortes e castelos Saint-Louis (Forts et Châteaux Saint Louis), construídos entre 1620 e 1694. As escavações duraram de 2005 a 2007, período em que foram achados objetos dos quatro fortes, utensílios de porões dos dois castelos e restos de várias dependências do pátio e do jardim sul. Uma exposição com os achados e um filme explicam o valor histórico tanto das peças quanto das construções.

Exibições temáticas – A cerca de 25 quilômetros de Montreal, o forte de Chambly (1711) protegeu a Nova França (Nouvelle-France) da ameaça de invasões inglesas. À beira do rio Richelieu, no sopé de um conjunto de corredeiras, o local é reconhecido pelas exibições temáticas permanentes, que recontam a presença francesa, as batalhas e a convivência entre as tropas e a população de Chambly. O The Discovery Circuit é um roteiro pelos jardins e pelos edifícios, com vistas do rio Richelieu e informações sobre os vestígios arqueológicos. Além disso, durante todo o verão, algumas atividades diárias mostram como os soldados se vestiam e as dificuldades que enfrentavam para vencer o frio severo do inverno canadense.

Newfoundland, ao leste do Quebec, sempre esteve exposta à ação de eventuais invasores, por isso é outra província do Canadá onde o turista encontra fortes e fortalezas. Em Placentia Bay, região ocupada por pescadores bascos no século XVI, atraídos pela fartura de espécimes de bacalhau, a França fundou a colônia de Plaisance (1662) e, em seguida, o forte de Castle Hill. Além da ameaça de terceiros, os exércitos franceses e britânicos lutaram esporadicamente pelo controle da ilha, o que contribuiu para o surgimento de estruturas de guerra.

O local histórico oferece uma visão única da costa e muitas áreas para piqueniques e trilhas. As apresentações teatrais, por sua vez, reconstituem algumas das cenas de época, quando cidadãos da região e soldados conviviam em algumas ocasiões. Plaisance era uma colônia de poucas possibilidades – com limitada disponibilidade de suprimentos básicos, pouca infraestrutura e solo infértil –, com uma dependência não apenas da proteção dos oficiais, mas também de algumas das atividades do forte. Por esse motivo, Castle Hill exerceu papel importante nesse período da história da província.

O surgimento da província de British Columbia, por sua vez, está relacionado à construção do Fort Langley (1827), uma iniciativa da organização de comércio de peles Hudson’s Bay Company. Ao estabelecer um posto de vendas para negociar com as Primeiras Nações, a companhia viu a necessidade de construir um forte. À medida que as transações prosperavam, mais pessoas se instalavam definitivamente no local, levando à criação da colônia de British Columbia. Hoje uma cidade de cerca de 2,7 mil habitantes, Fort Langley conta com diversas acomodações, com pousadas em estilo Bed & Breakfast, além de museus, atrações ao ar livre e o tradicional Fort Langley National Historic Site of Canada, que retrata a presença dos fortes na formação do país.



Fortes e fortalezas canadenses também podem ser conhecidos pela internet, em sites que oferecem informações sobre os museus, as atividades e as comodidades oferecidas. Confira algumas sugestões:

Parks Canada
www.pc.gc.ca



Travel to Nova Scotia

www.novascotia.com

Cidade de Annapolis Royal
www.annapolisroyal.com

Bonjour Quebec
www.bonjourquebec.com

La Citadelle 
www.lacitadelle.qc.ca

Tourism British Columbia
www.hellobc.com


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