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Sustentabilidade

Reciclagem nos negócios

Além de preservar o meio ambiente, empresas brasileiras e canadenses investem no desenvolvimento de soluções para o uso sustentável de recursos, o que gera perspectivas para novas parcerias e a cooperação técnica

O governo canadense anunciou em fevereiro que irá reciclar os equipamentos eletroeletrônicos de todos os seus departamentos e ministérios. O objetivo é contribuir para a preservação do meio ambiente e favorecer a indústria da reciclagem. No mesmo mês, os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de Inverno de 2010, em Vancouver, organizados para serem os mais “verdes” da história, inovaram com medalhas feitas com ouro, prata e bronze reaproveitados de componentes eletrônicos, como celulares e computadores.

A reciclagem é uma preocupação no Canadá. Os lares do país produzem cerca de 13 milhões de toneladas de lixo, e o consumidor médio produz 418 quilos anuais, segundo informações mais recentes divulgadas no boletim EnviroStats, da Statistics Canada. Entre 2000 e 2004, dois terços do aumento do volume nacional foram compensados pela adesão das pessoas a programas de coleta, demonstrando o potencial das iniciativas. Em 2004, as cerca de 1.902 empresas canadenses de tratamento de lixo registraram faturamento de US$ 4,2 bilhões.

Parte das conquistas é possível devido à disponibilidade de pontos de coleta. Dados oficiais mostram que mais de 93% dos domicílios têm acesso a pelo menos uma alternativa de devolução de vidro, papel, plástico e metais. Entre os principais fatores do envolvimento da população, a comodidade de acesso aos depósitos e a educação sobre a importância de reciclar se destacam. No Brasil, de acordo com o mais recente levantamento do Compromisso Empresarial para Reciclagem (Cempre), apenas 7% dos municípios fazem coleta seletiva – em 2008, o lixo urbano no país atingiu volume de 54,7 milhões de toneladas.

Os recursos naturais também são alvo de ações. “A reciclagem de água no Canadá é feita, por exemplo, com sistemas para edifícios, produzindo abastecimento de alta qualidade para a irrigação de jardins e para o uso em banheiros, serviços de limpeza e calefação. No Brasil, a gestão eficaz de recursos hídricos será uma estratégia fundamental para o crescimento sustentável. A falta de abastecimento afeta particularmente o Nordeste”, explica Troy Vassos, engenheiro ambiental sênior da consultoria canadense NovaTec Consultants. Para ele, os dois países têm oportunidades principalmente na adaptação de tecnologias à realidade do mercado brasileiro. “O aperfeiçoamento pode ser aplicado por joint ventures”, aponta.

O executivo, que diz ter muito interesse pelo Brasil, cita duas inovações do Canadá que estão recebendo apoio governamental e que poderiam ser aproveitadas: a ultrafiltração com membranas cerâmicas, para a obtenção de água reutilizável de alta qualidade, e o uso de recursos hídricos na geração de biogás, obtido de matéria orgânica. “Estamos à procura de técnicas nacionais que poderiam gerar benefícios para o setor agrícola canadense e, em particular, para a indústria de redução das emissões de gases do efeito estufa”, conta Vassos. Ele considera a agricultura um setor estratégico para o Brasil, e um dos que mais necessitarão de soluções para a gestão de recursos naturais. Por isso, acredita na possibilidade de troca bilateral de conhecimento.

Aproveitamento hídrico – “Há uma abundância de recursos hídricos na maior parte das regiões brasileiras. Por isso, começamos tarde com os investimentos para o uso racional da água. Há muito desperdício nas capitais (de 45%). Em cidades como Rio Branco, Manaus e Belém, o índice é superior a 70%. Mas os canadenses também têm obstáculos a superar”, observa Marcos Redondo, diretor executivo da Fator Ambiental. Essa condição comum poderia estimular um maior intercâmbio entre empresas e órgãos oficiais. No Canadá, esclarece Redondo, algumas metrópoles desperdiçam 25% da água potável, apesar de usarem recursos inteligentes, enquanto os municípios consomem apenas 11% da água potável do país.

Os desafios em comum, portanto, seriam a incorporação de tecnologias poupadoras de água, o desenvolvimento e aplicação de projetos de reúso e o estabelecimento de metas reais de redução do consumo. Exemplos de cooperação técnica existem. Durante 2000 e 2004, o Serviço Geológico do Canadá (GSC) e o Serviço Geológico do Brasil (CPRM) mantiveram parceria, financiada pela Agência Canadense para o Desenvolvimento Internacional (Cida), para desenvolver o Projeto Água Subterrânea no Nordeste do Brasil (Proasne), em que companhias canadenses forneceram tecnologias de gerenciamento de recursos hídricos para instituições e comunidades brasileiras.

A participação de pesquisadores de ambos os países também gera resultados na mineração. O Canadá, que concentra o maior número mundial de empresas ligadas ao setor, é reconhecido pela pesquisa de alternativas de desenvolvimento sustentável e pela interação com as comunidades e as Primeiras Nações. Somente as 200 maiores companhias investiram US$ 1,6 bilhões na exploração de minerais em 2008, com um crescimento de 28% em relação ao ano anterior, de acordo com Natural Resources Canada. Entre 1990 e 2004, o Canadian Centre for Mineral and Energy Technology (CanmetENERGY) e o Centro de Tecnologia Mineral (Cetem), do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), aproximaram técnicos que puderam compartilhar experiências.

“O motivo desse intercâmbio foi o interesse em conhecer as técnicas canadenses de redução do impacto ambiental e social da mineração. Na verdade, há uma afinidade muito grande entre os dois países”, expõe Paulo Sérgio Moreira Soares. O pesquisador do Cetem vê a necessidade de o Brasil amadurecer nessa área, principalmente na capacidade de absorver métodos já consagrados no Canadá, como a recomposição da cobertura vegetal e a adoção de coberturas secas (dry covers) para mitigação de drenagens ácidas, dois dos temas incluídos no projeto.

“As companhias, brasileiras e canadenses, têm investido mais na preservação ambiental e na minimização do impacto de suas atividades. A força motriz desse movimento são os órgãos governamentais de controle. No Canadá, essa atuação foi seguida de uma presença mais marcante de grupos ambientais e da conscientização da população quanto à necessidade de medidas na mineração”, completa Soares.
Em uma das pontas mais extremas da linha de produção dessa indústria, as latas de alumínio podem ser um vínculo de negócios entre Brasil e Canadá. “No mercado brasileiro, elas têm uma participação de 30% nas vendas de cervejas e de 10% nas de refrigerantes. Quando comparamos com os canadenses, os Estados Unidos e a Europa, notamos uma perspectiva de grande crescimento”, diz Osmar Marchioni, gerente de Suprimentos da Novelis. Em 2009, a empresa finalizou investimentos de US$ 21 milhões para elevar para 150 mil toneladas sua capacidade de reciclagem do metal. No ano anterior, dos 12,3 bilhões de latas recicladas em todo o país, segundo a Associação Brasileira de Alumínio (Abal) e a Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alta Reciclabilidade (Abralatas), 8,8 bilhões passaram pelas instalações da companhia.

Liderança mundial  –  Os resultados dos últimos anos indicam que cerca de 180 mil pessoas fazem alguma atividade relacionada ao processamento deste tipo de embalagem no Brasil, com receita total superior a R$ 1,8 bilhão anuais. Além disso, o índice de reciclagem nacional, de cerca de 96%, posiciona o país na liderança mundial em números proporcionais – os Estados Unidos são os primeiros em resultados absolutos, mas tentam elevar seu índice de 54% para 75%. “A lata de alumínio completou 20 anos aqui. Nesse período, houve uma disseminação da cultura da reciclagem, mesmo em cidades pequenas do interior. O desafio para o futuro é manter um nível tecnológico que seja capaz de absorver a demanda”, adverte o executivo. Para Marchioni, há muitas oportunidades de negócios para empresas nacionais e canadenses por causa da quantidade de agentes e segmentos da cadeia da lata.

Consideradas outra commodity da reciclagem, as garrafas e embalagens PET, assim como as latas de alumínio, fomentam negócios e o desenvolvimento tecnológico. No Canadá, 36% das garrafas consumidas são recuperadas, a maioria delas obtida por meio de programas que dão uma compensação econômica pela devolução (75%), segundo o informe An overview of plastic bottle recycling in Canada, realizado pela CM Consulting para o Environment and Plastics Industry Council (EPIC). Uma das vantagens canadenses, neste caso, é o conhecimento de soluções para o setor. “Investimos em tecnologias de redução de peso das embalagens, em especial das pré-formas e das garrafas PET, chamadas de lightweighting, que incluem a pesquisa de novos moldes de injeção, gargalos que reduzem o peso final do envase e conversões de moldes existentes, além de outros avanços”, cita Evandro Cazzaro, diretor da Husky Injection Molding Systems.

Amadurecida, a indústria brasileira enfrenta a curiosa situação de não contar com matéria-prima, ou seja, garrafas PET recolhidas. “O setor começou a amadurecer há cinco anos, ao ponto de haver hoje uma ociosidade de 20% a 30%. A taxa de recuperação no país é de 54,8%, mas poderíamos aumentar esse resultado com uma maior captação”, garante Auri Marçon, presidente da Associação Brasileira da Indústria do PET (Abipet). Desde a sua fabricação até a chegada nos centros de reciclagem, as embalagens percorrem um caminho que poderia ser dividido em indústrias químicas fabricantes da resina, transformadores e recicladores.

“A grande razão para o êxito do Brasil é a demanda interna, uma vez que há uma série de aplicações para o material reciclado, como na indústria têxtil. Isso, os Estados Unidos, o Canadá e o Japão não conseguiram fazer”, explica. Em fevereiro, a patrocinadora de material esportivo da seleção brasileira de futebol apresentou os novos uniformes oficiais, confeccionados com oito garrafas PET recicladas. Para companhias canadenses interessadas em explorar o mercado brasileiro, Marçon aponta oportunidades nas áreas de sistemas otimizados de coleta ou de triagem e na aplicação do PET reciclado na indústria química. “Dificilmente conseguimos montar uma recicladora com equipamentos de separação de plásticos. As empresas canadenses dominam essa tecnologia”, conclui. (LR

No Brasil, apenas 7% dos municípios fazem
coleta seletiva de lixo dos domicílios

Triagem de plásticos reaproveitados oferece
oportunidades para empresas canadenses 


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