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Matéria de Capa

Cenário Pós-crise

Com previsão de crescimento em 2010 e investimentos em diversas áreas da economia, o Brasil oferece oportunidades de negócios nos setores em que as empresas canadenses se destacam por sua experiência de Mercado

Louis Génot, do Rio de Janeiro

O consenso entre especialistas é de que o Brasil foi um dos países que melhor superaram a crise financeira internacional. À medida em que a economia mundial começa a dar sinais de recuperação, o mercado brasileiro volta a se mostrar atrativo para os investidores estrangeiros, a exemplo dos canadenses. Internamente, as previsões são animadoras. O mais recente boletim Focus, divulgado pelo Banco Central (BC), prevê um crescimento de 5,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2010, refletindo o otimismo dos analistas.

Entre os consumidores, que dão impulso ao varejo e ao crédito, predomina a sensação: 2010 será mais favorável do que 2009. O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) se mantém próximo aos 160 pontos, nível recorde, segundo a Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP). Com esse ambiente de bons indicadores, espera-se uma repetição dos avanços dos últimos anos nas relações bilaterais entre o Brasil e o Canadá, a assinatura de acordos de cooperação em diferentes áreas e a participação de executivos em diversas feiras e eventos nacionais e canadenses, entre outros, além de um maior volume de negócios.

Muitos setores, aquecidos pelos estímulos fiscais adotados pelo governo federal, pela disponibilidade de crédito oficial e pela própria evolução da economia brasileira, são considerados atraentes. “Existem ótimas oportunidades para investir diretamente nos segmentos em que o Canadá tem vantagens comparativas, como a mineração, os serviços de engenharia, a exploração de óleo e gás, as energias renováveis, as tecnologias voltadas para o meio ambiente, os serviços financeiros (inclusive seguros), a atuação imobiliária (de serviço e de investimento) e a infraestrutura”, destaca Walt Hutchings, vice-presidente da Export Development Canada (EDC).

Para o executivo, os empresários canadenses têm a seu favor a experiência na exportação de bens e serviços. “Há demanda em toda a supply chain de óleo e gás, e novas centrais elétricas devem ser construídas. A indústria do papel, por sua vez, oferece oportunidades de acordo com o know-how canadense e a capacidade de fornecer equipamentos. Além disso, muitos recursos serão aplicados em rodovias, aeroportos, portos e em saneamento”, observa.

Demanda e produção – Sérgio Vale, economista-chefe da consultoria MB Associados, cita alguns motivos para essa renovação de expectativas. “O potencial hidroelétrico é grande, com pelo menos três grandes usinas em construção ou em planejamento no Rio Madeira (RO e AM) e no Rio Xingu (PA). Já a construção civil pode se transformar, na próxima década, no que a indústria automobilística tem representado nos últimos anos”, avalia.

Na mineração, a demanda chinesa tem acelerado a produção interna e a superação da crise global transforma o cenário. “Sofremos o impacto, principalmente nas operações voltadas para a exportação. Nem mesmo a pesquisa e o desenvolvimento foram poupados. No Brasil, os investimentos caíram de US$ 400 milhões (2008) para US$ 230 milhões (2009), enquanto no mundo a perda foi de 42% no mesmo período, passando de US$ 13,8 bilhões para US$ 8 bilhões”, explica Paulo Camillo Vargas Penna, presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram).

Para ilustrar as possibilidades da indústria nacional, Penna faz uma comparação com o Peru, país que em 2009, apesar de seu território menor, investiu quase duas vezes mais do que o Brasil na exploração. “Essa carência é uma oportunidade para as empresas estrangeiras. O ouro é o nosso carro-chefe, mas também oferecemos possibilidades em cobre, manganês, níquel e  bauxita. Apesar disso, menos de 30% do solo brasileiro está sendo adequadamente investigado. Isso demonstra que ainda temos um grande potencial e uma abertura para novos empreendimentos”, acrescenta.

O Vale do Tapajós (PA), segundo o executivo, é exemplo da maior presença de companhias do Canadá. Na região, onde muitas minas foram fechadas, novos projetos estão sendo retomados por pequenas e médias empresas do país, como a Magellan Minerals e da Albrook Gold. “No total, de R$ 20 milhões a R$ 25 milhões estão sendo direcionados para a extração de ouro em Tapajós. Além dessa região, essas junior companies atuam no Mato Grosso, na Amazônia, no Rio Grande do Norte, no Piauí e no Rio Grande do Sul”, diz. Penna lembra que a tecnologia de ponta na pesquisa e produção faz da mineração canadense uma referência internacional.

Essa vantagem competitiva favorece também os grandes grupos, como a Yamana Gold. “No segundo semestre, começaremos a construção de um quarto local de produção, na mina de C1 Santa Luz (BA), perto da de Jacobina (BA), que já exploramos. Para isso, usaremos US$ 150 milhões nos próximos três anos.  Ainda temos estudos de viabilidade em três outros sítios, de Ernesto/Pau-a-Pique (MT) e Pilar e Caiamar (GO)”, esclarece Evandro Cintra, vice-presidente sênior de Serviços Técnicos. Para ele, a estabilidade política e econômica posiciona o Brasil como região de interesse.

O alumínio é outro metal que tem motivado novas ações. Uma das corporações mais atuantes no país, a Rio Tinto Alcan amplia suas instalações e operações. “Investimos R$ 500 milhões na expansão da refinaria Alumar (MA) e temos em planejamento outros R$ 25 milhões para a mina de bauxita MRN (PA), onde pretendemos abrir mais pontos de extração. O aumento desse orçamento revela a confiança no potencial do Brasil”, aponta Ronaldo Ramos, diretor-geral da Rio Tinto Alcan.

As expectativas favoráveis para 2010, no entanto, não se limitam a poucos setores. As obras em infraestrutura em todo o Brasil vão movimentar muitos investimentos nos próximos anos, além de possibilitar parcerias. Um estudo do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) mostra que somente a energia elétrica, as telecomunicações, o saneamento básico e a logística devem concentrar R$ 274 bilhões entre 2010 e 2013. O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), os preparativos para a Copa do Mundo (2014) e para os Jogos Olímpicos (2016) e a descoberta do pré-sal exigirão inúmeras reformas, além da absorção e intercâmbio de tecnologia. O fornecimento de energia elétrica, por exemplo, apresenta limitações, o que não é ignorado pelo governo federal e pelos Estados. O Plano Nacional de Energia (PNE), realizado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), calcula em US$ 185 bilhões o capital necessário para a modernização da geração, da transmissão e da distribuição.

De valor aproximado, a carteira de projetos da Petrobras, de US$ 174,4 bilhões até 2013, garantirá uma demanda em larga escala de muitos equipamentos em que companhias canadenses se destacam. Os investimentos estimularão o desenvolvimento de uma cadeia produtiva de alta tecnologia, uma vez que o pré-sal, submerso em águas profundas, exigirá soluções inovadoras. Para observadores e especialistas, são grandes as chances de uma renovação das oportunidades de cooperação financeira e de inovação.

Softwares e mobilidade – A Tecnologia da Informação deve se beneficiar desse quadro no médio prazo. Antônio Carlos Rego Gil, presidente-executivo da Associação Brasileira de Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom), encontra razões para que haja um estreitamento das relações entre Brasil e Canadá. “Os canadenses têm tecnologia de ponta nesse setor, além de manterem uma relação especial com o Brasil. O primeiro curso de Ciência da Computação, por exemplo, foi aberto pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), em parceria com a Universidade de Waterloo (Ontário)”, conta. Para ele, as oportunidades se concentram nos serviços e no desenvolvimento de softwares, além das áreas de mobilidade, com a divulgação da informação por meio de telefones celulares, e de cloud computing, sistema de armazenamento de dados on-line.

Mas enquanto muitas obras de infraestrutura ou o desenvolvimento de novas tecnologias estão em fase de planejamento e de implantação, o aumento do consumo tem proporcionado resultados mais imediatos. E a estimativa é de crescimento continuado. “No ano passado, a expansão foi de 5,5% no varejo alimentar. Com um contexto melhor em 2010, esperamos uma alta de 7%. O Brasil não é um mercado maduro em termos de consumo. Ainda existe certa dificuldade para atingir escala de massa. Um país como o Canadá, acostumado a uma maior sofisticação, poderia ter mais interesse em investir em nichos do setor, como o farmacêutico ou o de combustíveis”, avalia Sussumu Honda, presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras).

Impulso do consumo – Nos negócios imobiliários, a maior oferta de crédito e a participação no mercado de consumidores de menor renda são fatores positivos. Ricardo Betancourt, presidente da Colliers no Brasil, considera os grandes projetos oficiais como estímulo de uma recuperação setorial. “O desenvolvimento de infraestruturas de base, com a ampliação dos portos ou aeroportos, vai ser um diferencial para a nossa empresa. Cada vez que ocorre uma novidade, como uma nova linha de metrô, isso favorece as perspectivas de futuro”, garante.

Os benefícios do aumento dos gastos da população também repercutem no turismo. “Em 2009, cerca de 250 brasileiros viajaram para o Canadá com a nossa agência, o que representou uma queda de 20% em relação a 2007, ano que consideramos excelente. Apesar disso, o mercado brasileiro sofreu muito menos que o dos Estados Unidos, que caiu cerca de 50% no ano passado. Em 2010, esperamos um crescimento de 30% no Brasil, principalmente com o fim da crise, que deu mais confiança aos turistas”, avalia Márcia Lucas, representante da Butterfield & Robinson.

Entre os hotéis, uma das conclusões é de que o país deverá ampliar sua capacidade de acomodação para suprir a demanda da Copa do Mundo e das Olimpíadas. Em fevereiro, por exemplo, o ministro do Turismo (MTur), Luiz Barretto, e o vice-presidente do BNDES, Armando Mariante, apresentaram uma linha de crédito de R$ 1 bilhão para reforma, ampliação e construção de hotéis. A rede canadense Four Seasons, com total de 83 empreendimentos em 35 países, tem planos próprios para o Brasil. “Nosso objetivo é desenvolver um hotel de 200 a 240 quartos, em São Paulo, outro de 150 a 200 quartos, no Rio de Janeiro, e um resort de 100 a 150 quartos”, diz Alinio Azevedo, diretor de Desenvolvimento.

Em virtude do crescimento econômico nos últimos anos, que impulsionou a expansão de uma classe com alto poder aquisitivo cada vez mais interessada em hospedagem de luxo, o executivo acrescenta que há ainda a possibilidade de construção de resorts no Nordeste, na Amazônia, no Pantanal e na região de Foz do Iguaçu. E, com o futuro em mente, Azevedo diz que “a realização da Copa do Mundo e das Olimpíadas dará ao país a oportunidade de se reafirmar como destino turístico mundial, com enorme exposição na mídia mundial”.

Muitos setores da economia são considerados atraentes
para os investimentos estrangeiros em 2010

Obras em infraestrutura vão movimentar
muitos recursos

Rede canadense aposta no lançamento de novos hotéis
e de um resort no país


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